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✉️ Preparação para o El Niño, casarão histórico que vai virar coliving, conexão climática Antártida-RS e mais: as notícias desta quarta-feira

Edição #1675

✉️ Preparação para o El Niño, casarão histórico que vai virar coliving, conexão climática Antártida-RS e mais: as notícias desta quarta-feira
Foto: Giulian Serafim/PMPA

Olá! Dois anos após as enchentes, um novo El Niño se aproxima com risco de chuvas volumosas. Com a memória de 2024 ainda fresca, a pergunta que muitos gaúchos fazem é: o que foi feito desde então? O repórter João Neto mapeou obras concluídas, pendências e o que não saiu do papel em Porto Alegre. E mais:

🏚️ Patrimônio cultural de Porto Alegre, casarão de 1918 no Bom Fim vai virar coliving

🌧️ Estudo conecta El Niño e clima da Antártida ao aumento de chuvas extremas no Sul

📚 Juremir Machado da Silva escreve sobre a poesia de Fernanda Bastos e Luiz Maurício Azevedo

🌇 Flávio Kiefer investiga o futuro das cidades e celebra tudo o que não é pulsão de morte em Porto Alegre 

🎬 Roger Lerina resenha documentário sobre descaso do governo na pandemia

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Previsão do tempo: O sol aparece entre nuvens e o frio continua predominando. Os termômetros marcam entre 5ºC e 19ºC.

Com El Niño confirmado, o que mudou no sistema antienchente de Porto Alegre desde 2024

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já confirmou as condições para um novo El Niño de forte intensidade até setembro, com risco de chuvas volumosas, secas e ondas de calor. O fenômeno foi um dos responsáveis pelas enchentes que atingiram 96% dos municípios gaúchos em 2024, deixando 185 mortos. Com a memória de 2024 ainda fresca, os gaúchos encaram os próximos meses com apreensão.

Mas a culpa não foi só do El Niño: estudos científicos e decisões judiciais concluíram que falhas no sistema de proteção foram centrais para o avanço da água em Porto Alegre e na região metropolitana. Um mapeamento publicado na Revista Brasileira de Recursos Hídricos revelou sete tipos de falhas, que vão de transbordamentos e brechas nos diques a problemas nas comportas e refluxo nas estações de bombeamento.

Desde então, a prefeitura de Porto Alegre avançou em algumas frentes. No Centro Histórico, oito das 14 comportas foram fechadas em definitivo, outras quatro foram vedadas e duas foram substituídas por estruturas mais resistentes.

“O fechamento das comportas em definitivo é uma medida ótima, se tivesse sido feito antes de 2024, talvez o pôlder [área protegida] do aeroporto não teria inundado”, comenta Fernando Dornelles, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, que assinou o mapeamento.

Na zona Norte, obras para construir um novo dique e instalar um sistema móvel de fechamento de galerias começaram no final de junho. Trechos do dique do Sarandi foram reconstruídos – ainda falta remover 500 famílias que moram na área para seguir os trabalhos. As casas de bombas também receberam atualizações, como geradores permanentes, bombas submersíveis e elevação dos painéis de comando.

As principais fragilidades persistem na zona Sul e na Região das Ilhas.

Em abril, o secretário de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade Germano Bremm admitiu que “não tem sistema de proteção” para as Ilhas. O plano é elaborar um mapa de áreas seguras para evacuar em caso de emergência. A Defesa Civil criou um Núcleo Comunitário para orientar os moradores. 

Para os residentes dessa zona da cidade, o prefeito Sebastião Melo avisou para "não sonhar com obra para depois de amanhã": opções como muros, elevação da avenida Guaíba ou uso do parque Zeno Simon como dique foram apresentadas nos bairros Guarujá e Serraria, mas nenhuma saiu do papel – e o plano não contempla o extremo Sul, como Lami e Belém Novo.

Leia a reportagem completa:

El Niño à vista: como está a proteção antienchente em Porto Alegre
Levantamento da Matinal mostra que Ilhas e Zona Sul permanecem como os locais mais vulneráveis


O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Retrofit de sobrado no Bom Fim pode afetar patrimônio da região

Um antigo sobrado na avenida Osvaldo Aranha, construído em 1918, está prestes a se tornar a oitava unidade da Rent Coliving em Porto Alegre, empresa que reconfigura imóveis em um formato de residências compartilhadas, voltadas a estudantes ou aluguéis de curta temporada. No Bom Fim, o futuro empreendimento irá transformar o casarão que integra o patrimônio cultural de Porto Alegre em 42 unidades habitacionais, conforme noticia GZH

As intervenções, que precisam ser autorizadas pela prefeitura, são pensadas especialmente para ficarem prontas até a Copa do Mundo feminina, daqui a um ano. Conforme explicou a proprietária da Rent, Gabriella Fuga, ao jornal, o projeto prevê manter a fachada e erguer um edifício atrás – proposta semelhante à emenda que estabelece o “fachadismo, incorporada ao texto do Plano Diretor Urbano Sustentável, que ainda não chegou à prefeitura para ser sancionado.

Fuga defende o empreendimento como maneira de “trazer a vida de forma compartilhada” à cidade. “As pessoas vivem em colivings não só pela flexibilidade ou pela conveniência financeira, mas para criar vivências em comunidade, criar vínculos coletivos.” 

A obra gera controvérsia. O sobrado está no entorno da capela Senhor do Bom Fim, que é tombada – o que exige que a eventual nova construção mantenha a ambiência do local. Por isso, um acréscimo de altura no imóvel pode ser considerado prejudicial ao patrimônio da região.

“Preservar apenas a fachada de um prédio e demolir o restante é a mesma coisa que preservar a capa de um livro e descartar o conteúdo”, comparou, em entrevista à Matinal, o arquiteto Luiz Merino, um dos autores do livro “Porto Alegre: Arquitetura e contexto urbano”. Segundo ele, é admitida a preservação somente da fachada, mas em casos de incêndio ou arruinamento da construção – como ocorreu com o antigo cinema Astor, na Benjamin Constant. “Quando um prédio é declarado como patrimônio de uma cidade, ele é considerado no seu todo”, ressaltou. 

Estudo liga El Niño e clima da Antártida ao aumento de chuvas extremas na região Sul do Brasil

Uma caverna na região metropolitana de Curitiba preserva a história das chuvas extremas dos últimos 7,5 mil anos na região Sul do Brasil. Desde 2019, cientistas monitoram as inundações no local. Os resultados de um estudo, elaborado para entender casos como os das enchentes que atingiram o RS em 2024 e publicado na revista Nature, mostram que a frequência desses eventos no século 20 está entre as mais elevadas de toda a série histórica.

Dois fatores foram apontados como influentes nesse processo: a variabilidade climática no continente antártico e a ocorrência de El Niño – ambos presentes no cenário atual.

Os cientistas descobriram que períodos de verão com temperaturas mais baixas na Antártida Ocidental tendem a coincidir com mais eventos extremos no Sul do Brasil. Nos últimos mil anos, também se nota uma associação significativa entre a frequência de chuvas extremas e episódios moderados ou fortes de El Niño. Além disso, o estudo sugere que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas pode estar contribuindo para a intensificação recente desses eventos.

Foto: Julio Cauhy/Agência Fapesp


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Aliança Francesa Porto Alegre recebe inscrições para residência artística na França

As inscrições para o 9° Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea estão abertas até o dia 19 de julho. O vencedor ganha uma residência artística em La Rochelle, na França, com direito a passagens, hospedagem e R$ 12 mil para custear outros gastos.

O concurso é aberto para artistas maiores de 18 anos que sejam residentes do Rio Grande do Sul e tenham conhecimento de francês e/ou inglês. As inscrições devem ser feitas pelo site da Aliança Francesa Porto Alegre.

OUTRAS NOTÍCIAS
Após unidades de saúde da capital registrarem falta de médicos, o Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG), novo gestor de 67 postos, prometeu à GZH que as vagas serão preenchidas “nos próximos dias”, sem especificar prazo limite.
O governador Eduardo Leite vetou o projeto de lei que extinguia a taxa de licenciamento para veículos no Estado. O projeto, que havia sido aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa, foi vetado devido ao impacto da medida nos cofres públicos, segundo o governador
A Smed abriu um novo período para inscrições de crianças na Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino. As inscrições podem ser feitas online até o dia 17 de julho, pelo link.
Foi concluída a revitalização da Orla do Lami, na zona Sul, que havia começado em 2024. Atingida pela enchente, a orla recebeu investimentos de R$ 7,5 milhões para reconstruir 1,3 mil metros do calçadão, implantar novas estruturas de lazer e acessibilidade, além de uma mureta de 15 cm de altura, projetada para proteção em caso de cheias.
Em alusão ao Julho Dourado – mês dedicado à conscientização sobre a saúde animal –, o Gabinete da Causa Animal intensificará a campanha de vacinação de cães e gatos. Começando hoje, a ação continua até o final de agosto, com atendimento a partir das 14h na Unidade de Saúde Animal Victória (Usav). 
A Comissão de Ética da Câmara de Vereadores anunciou que vai apurar a denúncia de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar contra o vereador Mauro Pinheiro (PP). 
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados fez uma audiência pública ontem para debater a implementação e o cumprimento da Lei Somos Todas Professoras, além de discutir a parceria público-privada (PPP) de escolas da rede estadual.
Ontem, Pelotas completou 214 anos e celebrou com a reabertura do Theatro Sete de Abril – o mais antigo do estado. Após 16 anos fechado, o teatro lotou para o show do cantor Vitor Ramil.
Juremir Machado: "A poesia de Fernanda e de Luiz Maurício têm pontos em comum: a originalidade das imagens, a força da coloquialidade, a irreverência, a plasticidade arrancada diretamente do cotidiano..."

Caminhantes

É com essa esperança — ou desejo? — que observo algumas raras iniciativas que têm a finalidade de recuperar ou criar lugares. O discurso dominante do urbanismo felizmente mudou, é verdade. Saiu o automóvel, entrou o caminhante. Mas discursos são sempre descompassados da prática no Brasil. Andam com passos de formiga e sem vontade… Mas, eventualmente, acontecem.

Leia a coluna completa.


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BRASIL 2030: A Educação que precisamos para o País que queremos
A ADUFRGS-Sindical, em conjunto com o CPERS-Sindicato, realiza, no dia 1º de agosto, a partir das 8h30, o evento “BRASIL 2030: A Educação que precisamos para o País que queremos”, que discutirá os desafios da educação brasileira para o desenvolvimento do país. A atividade será no auditório do campus Porto Alegre do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul . As inscrições já estão abertas.

Saiba mais

CULTURA

Documentário relembra descaso do governo na pandemia

Foto: Descoloniza Filmes

Um dos episódios mais dramáticos dos últimos tempos, a pandemia da covid-19 teve contornos particularmente trágicos em países como o Brasil, onde se estima que mais de 700 mil pessoas morreram em consequência do coronavírus. O documentário Anatomia do Caos (2026) recupera o histórico de negligência do governo de Jair Bolsonaro na crise sanitária a partir dos trabalhos da CPI da Covid-19. Leia a resenha de Roger Lerina


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