Confira todos os textos da edição #322
- 19 de abril: Presença, resistência e extermínio dos Povos Indígenas, por Cristiano Goldschmidt
- Bibliotecas abertas, por Ângela Hoffman
- O dia em que a prefeitura “importou” 15 músicos da Itália, por Álvaro Santi
- Saramago sai e quem perde é a geração futura, por Alfredo Fedrizzi
- Meu affair com Theo, por Ondina Fachel Leal
- A substituição do pensamento, por Marlon Pires Ramos
- O Rock Gaúcho – Parte IV, por Arthur de Faria
- O tigre de olhos verdes, por Sergio Faraco
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 2, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu – Capítulo II, Marlon Pires Ramos
- Refil (da meada), a epistemologia da saudade em Diego Grando, por Augusto Quenard
- A boneca e a sobrevivente do holocausto, por Juremir Machado da Silva
Advogado, escritor e pesquisador das histórias dos sobreviventes dos campos de concentração nazistas que vieram para o Brasil, Salus Loch, em Pitzi, a testemunha de pano (editora Scriptum), conta a história real e sensível de uma menina que escapou da morte, na Bélgica, amarrada nas costas da mãe e executada por soldados de Hitler. Resgatada por quem deveria ser um dos algozes dos seus pais, a menina cresceria num mosteiro de Charleroi e seria adotada por um casal. Salus Loch a chama de Hannah Chevalier por questões de privacidade.
Salus Loch conheceu Hannah Chevalier octogenária em São Paulo. Não havia como não se fascinar por sua história. De suas entrevistas com Hannah, que chegou ao Brasil com a sua boneca Pitzi, confeccionada pelo homem que a salvou e que se manteve em contato com ela até morrer, Salus concebeu um romance narrado por essa testemunha de pano de uma vida.
É o que se chama, às vezes, de uma história de vida: um trajeto feito de medos, entusiasmos, grandes perdas, descobertas e superações.
O escritor encontrou o tom certo para contar o que Hannah viveu. A narrativa costura relatos, impressões, sensações e lembranças com delicadeza, como se o autor movesse as agulhas de tricô que ocuparam os últimos tempos de Laurence, a pianista que tomou Hannah como filha, ou como neta.
O que se lê a cada página do livro de Loch tem a ver com a força da vida, do amor e da empatia. Surgem pessoas complexas, contraditórias e surpreendentes, assim como desfilam figuras tristes, chapadas, duras, incapazes de ir além de um simplismo existencial acachapante e perverso.