Olá! Aprofundando o debate sobre o Plano Diretor, trazemos hoje uma reportagem de Claudia Bueno e Naira Hofmeister que traz a visão de especialistas a respeito dos erros da proposta, em especial a partir da perspectiva de adaptação climática. São situações que dialogam diretamente com eventos como o que presenciamos no final da tarde de ontem, em que um forte temporal afetou a rotina da capital. Também falamos sobre o transporte público da capital e a alta dos combustíveis, e como uma região devastada pela enchente está recuperando o ambiente natural com agroecologia.
Roger Lerina publica a resenha do filme A Mensageira, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Na seção da Parêntese, Guto Leite descreve o que sentiu e pensou ao ver o show dos irmãos Ramil no último final de semana.
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Prédio de 40 andares em áreas de inundação: os erros do Plano Diretor de Porto Alegre
Em votação desde a semana passada na Câmara, o projeto de lei do novo Plano Diretor de Porto Alegre pode expor a população da cidade a riscos climáticos. A proposta permite edifícios de 130 metros — equivalentes a mais de 40 andares — em regiões inundadas pela enchente de 2024, como o Quarto Distrito e o Centro Histórico, que ainda têm problemas de escoamento e estão, pela posição geográfica, na direção dos ventos. Além da flexibilização das alturas, autoriza a urbanização de zonas de banhado hoje preservadas, como a Ponta do Arado, uma planície de inundação e de passagem do Guaíba, espécie de medida natural de contenção de cheias.
Em momento de recorrência de eventos climáticos extremos, um planejamento urbano que não considere a crise climática amplia ainda mais o problema, já que seus impactos incidem de forma mais dramática em áreas vulneráveis.
“A adaptação é uma das formas de enfrentarmos a mudança do clima, mas também de enfrentarmos a desigualdade”, observa Gaia Hasse, advogada especialista em direito climático.
Do ponto de vista técnico, o problema da proposta do Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) de Porto Alegre começa com o diagnóstico. Os mapas de risco anexados ao projeto de lei na Câmara mostram apenas os riscos geológicos, ou seja, de deslizamento de terra e movimentos de massa, e trazem dados de 2022, provenientes de um estudo do Serviço Geológico do Brasil. Em nenhum dos mapas anexados à proposta aparece a mancha de inundação da enchente de 2024.
Um cruzamento deste documento com o mapa do novo regime urbanístico proposto mostra que as construções com maiores alturas da cidade estão previstas justamente para aquelas regiões que foram tomadas pela água em 2024, o que agrava riscos desde a criação de ilhas de calor e até mesmo de doenças virais.
Leia a reportagem completa:
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Temporal derruba árvores, alaga ruas e deixa regiões sem água
Em meio a um alerta vermelho, um forte temporal caiu sobre Porto Alegre ontem, por volta de 16h15. As rajadas de vento mais forte chegaram a atingir 96 km/h na zona sul e 68 km/h na zona norte. Segundo a Defesa Civil, não houve feridos, mas sim uma série de transtornos. Diferentes regiões da cidade registraram alagamentos por conta da chuvarada, cujo acumulado variou entre 26 e 37mm conforme a área da cidade. Onde choveu mais, o excesso de água estressou o sistema de drenagem mais uma vez, ainda que as estações de bombeamento tenham mantido seu funcionamento normal, segundo a prefeitura. As Estações de Bombeamento de Água Tratada João de Oliveira Remião e São José Cota 200 tiveram a operação interrompida em razão da falta de energia elétrica.
Houve, ainda, pelo menos três quedas de árvores, no Jardim Lindóia, no Partenon e na Agronomia, além de falhas no funcionamento de diversos semáforos pela cidade. As condições climáticas também fizeram com que o aeroporto Salgado Filho registrasse atrasos em pousos e decolagens.
Ao menos por ora, transporte público da capital não será afetado pela alta nos combustíveis
As consequências da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no que tange aos combustíveis, ainda não tem reflexo direto no transporte público de Porto Alegre. É o que garantiu o secretário de Mobilidade Urbana, Adão Castro, ao Correio do Povo. Segundo ele, caso haja alguma alteração, a população será avisada antes. A situação da capital distingue-se de outras cidades do interior, segundo Castro, porque o município firma contratos diretamente com grandes distribuidoras, evitando uma concorrência maior. A partir de hoje, por exemplo, São Leopoldo reduzirá os horários em 15%.
No entanto, a alta nos combustíveis afeta a população como um todo. O litro da gasolina tem se aproximado de 7 reais em diversos postos da capital e da região metropolitana. Inicialmente, a inflação decorrente do risco de escassez se concentrou apenas no diesel, mas agora também ocorre tanto na gasolina, como no etanol – GZH chegou a encontrar um posto sem nenhum dos combustíveis à venda.
As enchentes de 2024 no RS levaram embora quase tudo às margens de alguns rios. No Vale do Taquari, famílias tentam recuperar a subsistência implantando um sistema agroecológico em suas terras. Em novembro do ano passado, a família Mallmann, do interior de Estrela, foi a primeira a ser contemplada pelo Plano Recupera Rural RS. A iniciativa une pesquisa, extensão e o conhecimento dos próprios agricultores para ajudar a conservar o solo, resgatar o ambiente natural e voltar a gerar renda.
Numa área de 60 hectares próxima ao rio Taquari, a família agora pretende investir na produção de frutas a partir da agrofloresta, cuja implantação respeita o processo natural de repovoamento de uma área: cultivam-se as gramíneas, que atraem insetos, responsáveis por ajudar na polinização e estimular o aparecimento de arbustos. Depois surgem os animais e a vegetação de maior porte.
OUTRAS NOTÍCIAS
Em entrevista ao JC, o prefeito Sebastião Melo afirma querer zerar os prejuízos causados pela enchente em Porto Alegre até 2028 através do desenvolvimento econômico.
O plano de Melo para zerar o déficit passa pela concessão do Dmae – em fase de licitação –, a operação urbana consorciada na Avenida Ipiranga e a revisão do Plano Diretor.
Quem por ventura perdeu a placa de seu carro no temporal de ontem pode contatar a EPTC.
Ontem, em Porto Alegre, o governo do RS entregou casas a 80 famílias que adquiriram imóveis por meio do programa Porta de Entrada.
Desde o início do ano, cerca de 4 mil pessoas estão em tratamento por dependência química em espaços de acolhimento e recuperação da capital.
Comerciários do RS lançam nesta terça-feira uma campanha salarial visando o fim da escala 6x1. Um dos objetivos é valorizar quem sustenta diariamente os negócios, conforme a entidade que representa o setor.
Ocorre hoje o julgamento que pode definir os rumos da Termelétrica Rio Grande, travada há anos por disputas judiciais. Em 2017, a Aneel determinou a revogação da outorga do empreendimento, devido a atrasos no cronograma do projeto.
Liberdade, euforia e nostalgia na voz dos irmãos Ramil
por Guto Leite
Os Ramil cantam, entre euforia, nostalgia, melancolia e liberdade, a experiência daquilo que resiste à acachapante força da modernização e da transformação de tudo e todos em mercadorias. Não por acaso, lêem o Rio Grande do Sul desde Pelotas. Esse fato é por si só formidável, de que o ângulo adequado para ler a modernização do estado pela canção popular não seja porto-alegrense. É Pelotas “quem” vê, a certa distância, as transformações do progresso e pode comentá-las com proveito.
Leia a resenha completa →CULTURA

Menina conversa com bichos em "A Mensageira"

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Berlim, o filme A Mensageira (2025) acompanha uma pré-adolescente com o suposto dom de se comunicar com animais vivos e mortos, que cruza a Argentina com um par de adultos oferecendo seus serviços. Filmado em preto-e-branco e conduzido como um road movie centrado nos personagens, o longa dirigido por Iván Fund segue Anika (Anika Bootz) e seus tutores, que transformam a habilidade da garota em sustento na crise econômica. Leia a resenha.
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