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✉️ Os erros do Plano Diretor e o temporal em Porto Alegre: as notícias desta terça

Edição #1604

✉️ Os erros do Plano Diretor e o temporal em Porto Alegre: as notícias desta terça
Foto: Alex Rocha/PMPA

Olá! Aprofundando o debate sobre o Plano Diretor, trazemos hoje uma reportagem de Claudia Bueno e Naira Hofmeister que traz a visão de especialistas a respeito dos erros da proposta, em especial a partir da perspectiva de adaptação climática. São situações que dialogam diretamente com eventos como o que presenciamos no final da tarde de ontem, em que um forte temporal afetou a rotina da capital. Também falamos sobre o transporte público da capital e a alta dos combustíveis, e como uma região devastada pela enchente está recuperando o ambiente natural com agroecologia.

Roger Lerina publica a resenha do filme A Mensageira, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Na seção da Parêntese, Guto Leite descreve o que sentiu e pensou ao ver o show dos irmãos Ramil no último final de semana.

E como em toda a terça-feira, logo mais assinantes dos planos completo e comunidade recebem a newsletter de Juremir Machado da Silva, que relembra o escritor Josué Guimarães.

🌦️
Previsão do tempo: A instabilidade que chegou ontem à capital não vai totalmente embora, e a chuva ainda pode aparecer em partes do dia. Pelo menos refrescou: a máxima deve ser de 25°C.

Prédio de 40 andares em áreas de inundação: os erros do Plano Diretor de Porto Alegre

Em votação desde a semana passada na Câmara, o projeto de lei do novo Plano Diretor de Porto Alegre pode expor a população da cidade a riscos climáticos. A proposta permite edifícios de 130 metros — equivalentes a mais de 40 andares — em regiões inundadas pela enchente de 2024, como o Quarto Distrito e o Centro Histórico, que ainda têm problemas de escoamento e estão, pela posição geográfica, na direção dos ventos. Além da flexibilização das alturas, autoriza a urbanização de zonas de banhado hoje preservadas, como a Ponta do Arado, uma planície de inundação e de passagem do Guaíba, espécie de medida natural de contenção de cheias.

Em momento de recorrência de eventos climáticos extremos, um planejamento urbano que não considere a crise climática amplia ainda mais o problema, já que seus impactos incidem de forma mais dramática em áreas vulneráveis.

“A adaptação é uma das formas de enfrentarmos a mudança do clima, mas também de enfrentarmos a desigualdade”, observa Gaia Hasse, advogada especialista em direito climático. 

Do ponto de vista técnico, o problema da proposta do Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) de Porto Alegre começa com o diagnóstico. Os mapas de risco anexados ao projeto de lei na Câmara mostram apenas os riscos geológicos, ou seja, de deslizamento de terra e movimentos de massa, e trazem dados de 2022, provenientes de um estudo do Serviço Geológico do Brasil. Em nenhum dos mapas anexados à proposta aparece a mancha de inundação da enchente de 2024. 

Um cruzamento deste documento com o mapa do novo regime urbanístico proposto mostra que as construções com maiores alturas da cidade estão previstas justamente para aquelas regiões que foram tomadas pela água em 2024, o que agrava riscos desde a criação de ilhas de calor e até mesmo de doenças virais.

Leia a reportagem completa:

Prédio de 40 andares em áreas de inundação: os erros do Plano Diretor de Porto Alegre
Torres que barram a circulação de ar, urbanização em áreas-esponja, ausência de mapeamento de riscos e de estratégias para o calor: especialistas elencam os problemas do plano da prefeitura

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Temporal derruba árvores, alaga ruas e deixa regiões sem água

Em meio a um alerta vermelho, um forte temporal caiu sobre Porto Alegre ontem, por volta de 16h15. As rajadas de vento mais forte chegaram a atingir 96 km/h na zona sul  e 68 km/h na zona norte. Segundo a Defesa Civil, não houve feridos, mas sim uma série de transtornos. Diferentes regiões da cidade registraram alagamentos por conta da chuvarada, cujo acumulado variou entre 26 e 37mm conforme a área da cidade. Onde choveu mais, o excesso de água estressou o sistema de drenagem mais uma vez, ainda que as estações de bombeamento tenham mantido seu funcionamento normal, segundo a prefeitura. As Estações de Bombeamento de Água Tratada João de Oliveira Remião e São José Cota 200 tiveram a operação interrompida em razão da falta de energia elétrica. 

Houve, ainda, pelo menos três quedas de árvores, no Jardim Lindóia, no Partenon e na Agronomia, além de falhas no funcionamento de diversos semáforos pela cidade. As condições climáticas também fizeram com que o aeroporto Salgado Filho registrasse atrasos em pousos e decolagens.

Ao menos por ora, transporte público da capital não será afetado pela alta nos combustíveis

As consequências da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no que tange aos combustíveis, ainda não tem reflexo direto no transporte público de Porto Alegre. É o que garantiu o secretário de Mobilidade Urbana, Adão Castro, ao Correio do Povo. Segundo ele, caso haja alguma alteração, a população será avisada antes. A situação da capital distingue-se de outras cidades do interior, segundo Castro, porque o município firma contratos diretamente com grandes distribuidoras, evitando uma concorrência maior. A partir de hoje, por exemplo, São Leopoldo reduzirá os horários em 15%

No entanto, a alta nos combustíveis afeta a população como um todo. O litro da gasolina tem se aproximado de 7 reais em diversos postos da capital e da região metropolitana. Inicialmente, a inflação decorrente do risco de escassez se concentrou apenas no diesel, mas agora também ocorre tanto na gasolina, como no etanol – GZH chegou a encontrar um posto sem nenhum dos combustíveis à venda.


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Região devastada por enchente no RS recupera ambiente natural com agroecologia

As enchentes de 2024 no RS levaram embora quase tudo às margens de alguns rios. No Vale do Taquari, famílias tentam recuperar a subsistência implantando um sistema agroecológico em suas terras. Em novembro do ano passado, a família Mallmann, do interior de Estrela, foi a primeira a ser contemplada pelo Plano Recupera Rural RS. A iniciativa une pesquisa, extensão e o conhecimento dos próprios agricultores para ajudar a conservar o solo, resgatar o ambiente natural e voltar a gerar renda.

Numa área de 60 hectares próxima ao rio Taquari, a família agora pretende investir na produção de frutas a partir da agrofloresta, cuja implantação respeita o processo natural de repovoamento de uma área: cultivam-se as gramíneas, que atraem insetos, responsáveis por ajudar na polinização e estimular o aparecimento de arbustos. Depois surgem os animais e a vegetação de maior porte.

OUTRAS NOTÍCIAS
Em entrevista ao JC, o prefeito Sebastião Melo afirma querer zerar os prejuízos causados pela enchente em Porto Alegre até 2028 através do desenvolvimento econômico.
O plano de Melo para zerar o déficit passa pela concessão do Dmae – em fase de licitação –, a operação urbana consorciada na Avenida Ipiranga e a revisão do Plano Diretor.
Quem por ventura perdeu a placa de seu carro no temporal de ontem pode contatar a EPTC.
Ontem, em Porto Alegre, o governo do RS entregou casas a 80 famílias que adquiriram imóveis por meio do programa Porta de Entrada.
Desde o início do ano, cerca de 4 mil pessoas estão em tratamento por dependência química em espaços de acolhimento e recuperação da capital.
Comerciários do RS lançam nesta terça-feira uma campanha salarial visando o fim da escala 6x1. Um dos objetivos é valorizar quem sustenta diariamente os negócios, conforme a entidade que representa o setor.
Ocorre hoje o julgamento que pode definir os rumos da Termelétrica Rio Grande, travada há anos por disputas judiciais. Em 2017, a Aneel determinou a revogação da outorga do empreendimento, devido a atrasos no cronograma do projeto.
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Liberdade, euforia e nostalgia na voz dos irmãos Ramil

por Guto Leite

Os Ramil cantam, entre euforia, nostalgia, melancolia e liberdade, a experiência daquilo que resiste à acachapante força da modernização e da transformação de tudo e todos em mercadorias. Não por acaso, lêem o Rio Grande do Sul desde Pelotas. Esse fato é por si só formidável, de que o ângulo adequado para ler a modernização do estado pela canção popular não seja porto-alegrense. É Pelotas “quem” vê, a certa distância, as transformações do progresso e pode comentá-las com proveito.

Leia a resenha completa →

CULTURA

Menina conversa com bichos em "A Mensageira"

Foto: Filmes do Estação

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Berlim, o filme A Mensageira (2025) acompanha uma pré-adolescente com o suposto dom de se comunicar com animais vivos e mortos, que cruza a Argentina com um par de adultos oferecendo seus serviços. Filmado em preto-e-branco e conduzido como um road movie centrado nos personagens, o longa dirigido por Iván Fund segue Anika (Anika Bootz) e seus tutores, que transformam a habilidade da garota em sustento na crise econômica. Leia a resenha.


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