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Nas exéquias de Ivone Pacheco, o jazz expressou respeito e lamento

Parêntese #348

Nas exéquias de Ivone Pacheco, o jazz expressou respeito e lamento
Ivone Pacheco em 2022. Foto: Carlos Macedo

Confira todos os textos da edição #348

Rua Dario Pederneiras, 115.

A primeira vez que vi esse endereço tornado público foi na nota de falecimento de Ivone Pacheco, em 11 de outubro de 2026, mesmo dia em que ela completou 94 anos. Isso seria impensável, inadmissível, antes de um acontecimento tão inexorável quanto a morte. Já presenciei ocasiões em que incautos ou neófitos revelaram a rua e o número em redes sociais, para que mais gente se somasse à legião que orbitava em torno dela. Logo eram repreendidos e orientados a apagar. Afinal, só quem conhecia o endereço, ou tinha proximidade com alguém sabedor, poderia acessar o Take Five Clube de Jazz, o agora lendário espaço que Ivone criou em 1982. O sigilo garantia charme, um toque de mistério e uma contenção amistosa, afastando meros curiosos. O fim da restrição sinaliza, de forma comovente, que uma era e um reinado terminaram em Porto Alegre.