Confira todos os textos da edição #348
- Tipografia: um caminho de acesso aos espaços letrados para intelectuais negros, por Alex de Cassio da Silva
- Lula nunca manifestou nenhum tipo de apoio ao Hamas, por Marianna Senderowicz
- Eleição, anacoluto e democracia, por Juremir Machado da Silva
- O rock gaúcho – Parte XIX, por Arthur de Faria
- O tempo da mãe é outro, por Kétina Timboni
- Nas exéquias de Ivone Pacheco, o jazz expressou respeito e lamento, por Vitor Necchi
- Shakespeare obsceno?, Luís Augusto Fischer entrevista Élvio Funck
- A dama da Duque – Capítulo VIII, por José Roberto Iglesias
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 18 – Parte II, por Gonçalo Ferraz
Rua Dario Pederneiras, 115.
A primeira vez que vi esse endereço tornado público foi na nota de falecimento de Ivone Pacheco, em 11 de outubro de 2026, mesmo dia em que ela completou 94 anos. Isso seria impensável, inadmissível, antes de um acontecimento tão inexorável quanto a morte. Já presenciei ocasiões em que incautos ou neófitos revelaram a rua e o número em redes sociais, para que mais gente se somasse à legião que orbitava em torno dela. Logo eram repreendidos e orientados a apagar. Afinal, só quem conhecia o endereço, ou tinha proximidade com alguém sabedor, poderia acessar o Take Five Clube de Jazz, o agora lendário espaço que Ivone criou em 1982. O sigilo garantia charme, um toque de mistério e uma contenção amistosa, afastando meros curiosos. O fim da restrição sinaliza, de forma comovente, que uma era e um reinado terminaram em Porto Alegre.