Confira todos os textos da edição #350
- Palestina Revelada, por Hanan Kattan
- Naming rights às avessas, por Miguel da Costa Franco
- O tempo e o retorno, por Zara Gerhardt
- Crimes que assombram o mundo, por Juremir Machado da Silva
- O rock gaúcho – Parte XX, por Arthur de Faria
- Ensaios sobre o invisível: uma análise da cosmologia como espelho da sociedade, por Horácio Dottori
- Um poeta que explica tudo, Luís Augusto Fischer entrevista Suriel Moisés Ribeiro
- A dama da Duque – Capítulo X, por José Roberto Iglesias
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 18 – Parte IV, por Gonçalo Ferraz
Eu estava no recreio, andando pelo pátio – o recreio é aquela hora de andar à toa entre um compromisso e outro, o pátio era o Instagram –, quando deparei com uma postagem inusual. Um camarada de ótima fala, explicando como funcionava a contagem de sílabas de um poema que era de fato uma letra de canção.
Ele falava com desembaraço e destreza sobre o tema, nem tão banal assim (esse de contar sílabas poéticas e entender o jogo dos acentos de cada verso, mais o esquema de rimas), e mostrava também intimidade com os temas que apareciam no poema, temas da cultura popular brasileira, em parte originados da tradição imagética de afrodescendentes, em parte não. Tudo muito fluente, e ainda por cima bem editados no vídeo.
Se quiser ter a mesma sensação que tive, procura lá o Suriel Moisés Ribeiro. Ele se mostra com um sorriso convidativo, face meio de banda, falando e falando e cantando. Citando mestres desse mundo da canção e da cultura popular do país como Paulo César Pinheiro e Luiz Alberto Simas, mestres como Paulinho da Viola e Maria Betânia, mas também mestres pouco conhecidos, como aqueles que praticam o repente ou o pessoal do rap.
Mandei mensagem, propus perguntas – inclusive sobre o sentido do nome dele, tão original, Suriel – e agora o leitor vai conhecer melhor a peça.