Confira todos os textos da edição #322
- 19 de abril: Presença, resistência e extermínio dos Povos Indígenas, por Cristiano Goldschmidt
- Bibliotecas abertas, por Ângela Hoffman
- O dia em que a prefeitura “importou” 15 músicos da Itália, por Álvaro Santi
- Saramago sai e quem perde é a geração futura, por Alfredo Fedrizzi
- Meu affair com Theo, por Ondina Fachel Leal
- A substituição do pensamento, por Marlon Pires Ramos
- O Rock Gaúcho – Parte IV, por Arthur de Faria
- O tigre de olhos verdes, por Sergio Faraco
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 2, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu – Capítulo II, Marlon Pires Ramos
- Refil (da meada), a epistemologia da saudade em Diego Grando, por Augusto Quenard
- A boneca e a sobrevivente do holocausto, por Juremir Machado da Silva
No dia 12 de abril de 1926, há cem anos, o vapor SS Conte Verde atracava mais uma vez no porto de Santos. Operado pela firma italiana Lloyd Sabaudo, esse transatlântico de 180 metros de comprimento, operado por 400 tripulantes, partira do porto de Gênova, fazendo a rota que ia até Buenos Aires. Podia transportar até 450 passageiros na primeira classe, 200 na segunda e 1780 na terceira. Era nesta última que viajavam quase sempre os imigrantes.
Nessa viagem, o Conte Verde trazia um grupo de 15 músicos: Nunzio di Bartolo, Eugenio Bonocore, Vincenzo Caldovino, Antonino Campione, Carlo Cimino, Francesco Donia, Francesco Galea, Francesco Infantino, Salvatore Leo, Isidoro Manzoni, Angelo Merolillo, Salvatore Merolillo, Giuseppe Pappa, Giovanni Spadaro e Rosario Vecchio. Conforme a lista de passageiros do Conte Verde, eles tinham entre 19 e 49 anos. Quatro eram solteiros, dois viúvos e nove casados. Destes, apenas dois vieram acompanhados das esposas; e um deles também trouxe duas crianças. A grande maioria, senão todos, era de sicilianos e calabreses. Desceram em Santos porque Porto Alegre, seu destino final, não fazia parte da rota.
Eles haviam sido contratados pela Prefeitura para constituírem a nova Banda Municipal de Porto Alegre, juntamente com outros tantos italianos já recrutados em Buenos Aires – entre os quais o maestro Giuseppe Leonardi. Cerca de um ano antes, o intendente Octavio Rocha havia obtido do Conselho Municipal a autorização para essa iniciativa. A Banda Municipal anterior, instituída em 1912 por seu antecessor José Montaury como atividade complementar para crianças e jovens estudantes da Escola Hilário Ribeiro, deixara de atuar há alguns anos.