Confira todos os textos da edição #322
- 19 de abril: Presença, resistência e extermínio dos Povos Indígenas, por Cristiano Goldschmidt
- Bibliotecas abertas, por Ângela Hoffman
- O dia em que a prefeitura “importou” 15 músicos da Itália, por Álvaro Santi
- Saramago sai e quem perde é a geração futura, por Alfredo Fedrizzi
- Meu affair com Theo, por Ondina Fachel Leal
- A substituição do pensamento, por Marlon Pires Ramos
- O Rock Gaúcho – Parte IV, por Arthur de Faria
- O tigre de olhos verdes, por Sergio Faraco
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 2, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu – Capítulo II, Marlon Pires Ramos
- Refil (da meada), a epistemologia da saudade em Diego Grando, por Augusto Quenard
- A boneca e a sobrevivente do holocausto, por Juremir Machado da Silva
Há poucos dias, ao dar aquela conferida habitual nas notícias de Portugal, deparei-me com uma manchete que me deixou, no mínimo, perplexo. O Ministro da Educação português decidiu, pura e simplesmente, retirar as obras de José Saramago da lista de leituras obrigatórias das escolas públicas. A princípio, achei que fosse uma daquelas piadas de mau gosto que circulam pela internet. Mas não era. A proposta está em consulta pública até o dia 28 de abril.
A justificativa oficial do Sr. Ministro? Outra piada sem graça: “É uma decisão absolutamente técnica”. Ele ainda tentou amenizar, dizendo que Saramago é, sim, um escritor de referência, mas que Portugal, felizmente, tem outros grandes nomes. A miopia dessa decisão é assustadora. Estamos falando de tirar do currículo o único escritor de língua portuguesa que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Ao lado de Fernando Pessoa e Luís de Camões, Saramago forma a santíssima trindade dos autores lusitanos mais lidos e influentes no mundo.
Não há como negar: Saramago é, indiscutivelmente, um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos. Ensaio sobre a Cegueira e As Intermitências da Morte, as obras-primas que mais gosto, não saem das listas de mais vendidos globalmente.