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Saramago sai e quem perde é a geração futura

Parêntese #322

Saramago sai e quem perde é a geração futura
Imagem: Fundação José Saramago / Reprodução

Há poucos dias, ao dar aquela conferida habitual nas notícias de Portugal, deparei-me com uma manchete que me deixou, no mínimo, perplexo. O Ministro da Educação português decidiu, pura e simplesmente, retirar as obras de José Saramago da lista de leituras obrigatórias das escolas públicas. A princípio, achei que fosse uma daquelas piadas de mau gosto que circulam pela internet. Mas não era. A proposta está em consulta pública até o dia 28 de abril. 

A justificativa oficial do Sr. Ministro? Outra piada sem graça: “É uma decisão absolutamente técnica”. Ele ainda tentou amenizar, dizendo que Saramago é, sim, um escritor de referência, mas que Portugal, felizmente, tem outros grandes nomes. A miopia dessa decisão é assustadora. Estamos falando de tirar do currículo o único escritor de língua portuguesa que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Ao lado de Fernando Pessoa e Luís de Camões, Saramago forma a santíssima trindade dos autores lusitanos mais lidos e influentes no mundo.

Não há como negar: Saramago é, indiscutivelmente, um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos. Ensaio sobre a Cegueira e As Intermitências da Morte, as obras-primas que mais gosto, não saem das listas de mais vendidos globalmente.