Confira todos os textos da edição #338
- Bagre Fagundes, “Gauchesco e brasileiro”, por Adão Villaverde
- Valdete Souto Severo: “É preciso e é possível construir outros modos de conviver”, entrevista por Luís Augusto Fischer
- Todas as minhas mortes, de Júlio Conte, por Guto Leite
- Parar e refletir, por Maria Rosa Fontebasso
- A floresta tem endereço e habitantes, por Alfredo Fedrizzi
- Centenária, por Tiago Maria
- Órbitas dos afetos, por José Mário Neves
- Por que todo entregador do Ifood deve ser pós-modernista?, por Luan Santana Ribeiro
- Grande Sertão é ou não um romance sobre um amor gay? Parte 1, por Juremir Machado da Silva
- Sussuarana – Capítulo VIII, por Alice Elnecave Xavier
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 15 – Parte I, por Gonçalo Ferraz
Luís Augusto Fischer – Teu livro traz no coração a tese de que a crise ambiental que vivemos é fruto do capitalismo, e de que se trata de entender o que nos trouxe até aqui para poder pensar outro mundo, outro jeito de organizar a vida, fora dele – “tecer um outro fio que nos conduza, quem sabe, à superação dessa sociabilidade sexista, racista e ecologicamente devastadora”, nas tuas palavras. De onde sai a energia intelectual para essa utopia? E que fundamentos práticos tu enxergas para esse mundo pós-capitalista? Isso é algo para o nosso tempo de vida?
Valdete Souto Severo – São três perguntas, cada uma com respostas que atravessam toda a minha trajetória até aqui. Sim, esse é o objetivo principal do livro, compreender como conseguimos naturalizar um modo tão irracional de gerir a vida e se há possibilidades de superar isso que chamamos capitalismo. Claro que essa superação depende, inclusive, da compreensão de que não estamos lidando com um modo de gestão econômica apenas, mas sim com um modo de gestão da vida. Não sei dizer de onde essa energia intelectual sai, porque ela me acompanha desde muito cedo. Com o passar dos anos, com os estudos e com a maturidade, parece-me cada vez mais impossível fugir dela. Trata-se de um incômodo, uma sensação de desajuste, como se não fizesse sentido existir sem dedicar meu esforço intelectual para isso. A emergência climática apenas aguça esse sentimento, de que é preciso e de que é possível construir outros modos de conviver.