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✉️ Primavera com El Niño, fundo climático voltado a seguros e outras notícias desta terça

Edição #1728

✉️ Primavera com El Niño, fundo climático voltado a seguros e outras notícias desta terça
Imagem de Satélite | Fonte: Inmet

Olá! A frente fria que atingiu o estado entre domingo e segunda deu uma amostra do que se pode esperar do próximo trimestre em tempos de El Niño. Há 75% de chances de que o fenômeno, que intensifica as chuvas, seja um dos mais intensos registrados desde 1950.

Na edição de hoje, primeiro dia da primavera, você também vai ler:

💰 Governo gaúcho anuncia fundo climático voltado a seguros

🖼️ Exposição convida a refletir sobre a crise ambiental

📷 O que dizem os planos de governo dos presidenciáveis sobre as mudanças do clima

🎥 “Morte e Vida Madalena” celebra o cinema como resistência

✉️ A newsletter de Juremir Machado da Silva analisa a reta final das campanhas eleitorais, enquanto só se fala de crise no STF. Assinantes dos planos Completo e Comunidade recebem a publicação ainda hoje, às 10h.

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Previsão do tempo: A terça-feira começa com sol e nuvens na capital, mas a nebulosidade aumenta ao longo do dia. Previsão de ventos com intensidade média e rajadas de 40 km/h, com temperaturas entre 8°C e 19°C.

Primavera com El Niño liga alerta para temporais intensos no RS

A primavera chega com chuvas no Rio Grande do Sul. A estação, tradicionalmente mais chuvosa, terá precipitações intensificadas pelo El Niño – há 75% de chances de que o fenômeno seja um dos mais intensos registrados desde 1950, segundo dados da agência meteorológica americana NOAA.

“A previsão climática para o próximo trimestre aponta para um volume de chuvas acima do normal. O que a previsão do clima não identifica é como essa chuva vai se distribuir mensalmente: se vai chover um pouco todos os dias ou se teremos dois ou três eventos de chuva mais volumosa. Quem vai nos dar essa noção da distribuição é a previsão do tempo, que enxerga de 5 a 7 dias adiante”, explica o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Daniel Caetano.

A frente fria que atingiu o estado entre domingo (20) e segunda (21) deu uma amostra do que se pode esperar do próximo trimestre. De sexta-feira (18) até a tarde de ontem, a Defesa Civil gaúcha registrou 122 ocorrências em 119 municípios – entre vendavais, chuvas intensas, granizo, alagamentos, enxurradas e deslizamentos. Mais de 485 mil pessoas foram afetadas e 802 ficaram desalojadas ou desabrigadas. Ontem, 890 mil consumidores amanheceram sem energia elétrica no estado.

Caxias do Sul registrou o maior acumulado: 159,4 mm entre a meia-noite e o meio-dia de segunda – quase o total previsto para setembro, de 181,7 mm. Quatro pessoas seguem desaparecidas na cidade: um homem caiu em uma galeria ao tentar desentupir um bueiro; e uma família de três – uma mulher, uma criança e uma adolescente – estava em um carro que foi arrastado pela enxurrada. Um homem, que também estava no veículo, conseguiu sair e pedir socorro. As buscas do Corpo de Bombeiros foram interrompidas na tarde de ontem devido à elevação do nível do rio. 

A Polícia Civil confirmou um óbito em Pelotas, de um ciclista que foi atingido por fios caídos. A cidade registrou vendavais de 89 km/h. A força do vento derrubou a fachada do estádio Boca do Lobo, e um prédio desocupado desabou na área central.

Em Porto Alegre, as rajadas chegaram a 93,2 km/h no bairro Belém Novo e a chuva superou 60 mm no Sarandi. A falta de luz paralisou seis Estações de Bombeamento de Água Tratada do Dmae, ameaçando o abastecimento em pelo menos oito bairros.

A Defesa Civil mantém alertas ativos para diversas regiões do estado. Os riscos mais graves — muito altos — envolvem inundação do Rio Taquari a partir de Santa Tereza; do Rio Caí em Vale Real, Nova Petrópolis e Caxias do Sul; e do Rio Paranhana em Igrejinha, além de deslizamentos em Caxias do Sul. Alertas de risco alto valem para inundação do Taquari em Arroio do Meio, Santa Tereza e Colinas; do Caí a partir de Vale Real; e deslizamentos em Muçum. Riscos moderados de deslizamento atingem municípios como Santa Cruz do Sul, Lajeado, Gramado, Encantado, Teutônia, Maquiné e Santa Maria, entre outros.

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O que é um evento extremo? 
Em Pelotas, o temporal de ontem foi considerado um evento extremo, de acordo com o Correio do Povo. Mas nem todo temporal severo é sinônimo de evento extremo. A definição é flexível e não há uma regra geral na meteorologia, mas convencionou-se considerar que eventos extremos são aqueles entre os 10% mais intensos da série histórica – seja em matéria de velocidade do vento, acumulado de chuva ou outro indicador.

"O evento climático extremo depende do que a gente tem como normal e do que temos de registros. A precipitação extrema em Porto Alegre é diferente de uma precipitação extrema em Uruguaiana, Pelotas ou Santa Maria", explica Caetano.

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O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Governo gaúcho anuncia fundo climático voltado a seguros contra eventos extremos

O novo normal climático pesa principalmente no bolso. Para tentar se adaptar aos impactos da crise global, o governo do Rio Grande do Sul anunciou ontem a criação de um fundo de R$ 102 milhões para facilitar a cobertura de seguros no estado, com foco especial em danos a prédios públicos e residências.

A secretária da Fazenda, Pricilla Maria Santana, afirmou à GZH que o programa vai operar por meio de Letras de Riscos de Seguros (LRS). Com os recursos do fundo, compram-se títulos emitidos por seguradoras. Em caso de danos provocados por enchentes ou outros eventos climáticos, o mecanismo abate perdas econômicas. A ideia é estimular seguradoras a assumirem riscos frente à possibilidade de tragédias climáticas. 

“Não é uma solução estatista, é uma solução de mercado [...] A intenção é utilizar o recurso público para estimular a oferta de seguros e mobilizar capital privado", disse a secretária ao Jornal do Comércio.

Em 2024, o maior desastre climático vivido pelo RS causou R$ 41,4 bilhões em danos patrimoniais, entre imóveis, negócios, lavouras e veículos. O estado registrou um recorde no pagamento de indenizações por sinistros em 2024, conforme dados apresentados pelo Piratini, mas os valores pagos pelas seguradoras representaram menos de 10% dos danos e perdas financeiras estimados. 

Junto ao lançamento do Fundo Gaúcho de Riscos Climáticos, o governo estadual anunciou a criação do Fundo Fácil, direcionado ao desenvolvimento econômico de empresas de pequeno e médio porte – com faturamento até R$ 500 milhões –, para que acessem o mercado de capitais. O montante dos dois fundos será viabilizado por verbas de privatização e do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), criado em junho de 2024.

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Pagar pela emergência custa mais do que evitar a tragédia
Desde 2012, a União gastou cerca de três vezes mais respondendo a eventos extremos do que financiando iniciativas capazes de prevenir tragédias no Brasil. Dados do Tribunal de Contas (TCU) apontam que o governo federal destinou R$ 25,5 bilhões em resposta e recuperação e só R$ 6,8 milhões em prevenção.

Focar em remediar, em vez de prevenir, pode ser uma estratégia pouco efetiva – tanto para a economia quanto para o clima. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a inação climática pode impor perda econômica de R$ 17,1 trilhões no PIB brasileiro até 2050, acabando com 4,4 milhões de empregos.

Exposição no Centro Cultural da UFRGS convida a refletir sobre "inferno climático"

Obra da artista Sandra Rey. Foto: Divulgação/UFRGS

As transformações de Porto Alegre após a enchente de 2024 são um dos pontos de partida da exposição Jardins do Antropoceno: o Paraíso em Tempos de ‘Inferno Climático’, que será inaugurada hoje (22), às 19h, no Centro Cultural da UFRGS. Com curadoria de Cláudia Vicari Zanatta e Luciane Campana Tomasini, a mostra reúne trabalhos de sete artistas – Maíra Velho, Rosangela Filipetto, Sandra Rey, Janice Martins Appel, Bruno de Andrade, Leandro Machado e Vicente Carcuchinski – que pensam a paisagem diante de um cenário de emergência climática.

As obras convidam o público a refletir sobre o modo como os seres humanos percebem, ocupam e fabulam o mundo e seus futuros possíveis. A exposição foi uma das ações contempladas no edital de ocupação 2026 do espaço cultural e segue em cartaz até 11 de novembro, com visitação gratuita, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.

O que dizem os planos de governo dos presidenciáveis sobre o clima

O Jornal da Universidade analisou os planos de governo dos candidatos à presidência da República em 2026 em relação às mudanças climáticas. Segundo a apuração, somente dois postulantes ao cargo chegam perto de uma agenda climática com metas construídas e prazos viáveis.

Conforme a reportagem, somente Lula (PT) tem uma meta climática nos moldes do que o Brasil já assumiu internacionalmente: reduzir as emissões líquidas de gases-estufa entre 59% e 67% até 2035, na comparação com 2005. Ronaldo Caiado (PSD) é o outro nome citado pelos especialistas como tendo uma agenda ambiental mais estruturada, embora sem meta numérica própria: ele aposta em pagamento por serviços ambientais e no mercado de carbono.

Foto: Cesar Lopes/PMPA


OUTRAS NOTÍCIAS
O Guaíba ainda sofre com efeitos da enchente de 2024. Monitoramentos do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS apontam para aumento de bactérias, metais e outros compostos no corpo d’água. 
O Dmae recebeu de uma empresa caxiense equipamentos no valor de R$ 3,9 milhões encomendados para ajudar na recuperação de sistemas de bombeamento. 
A prefeitura ampliou até 21 de outubro o prazo para envio de projetos de adoção dos viadutos José Loureiro da Silva, no Centro, e José Eduardo Utzig, no bairro São João. Veja como enviar propostas.
A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel) está oferecendo aulas gratuitas de judô, ginástica, mobilidade e yoga no Ginásio Lupi Martins, no bairro Teresópolis. As inscrições são presenciais, no local onde ocorrem as atividades. 
Famílias, pessoas com deficiência, profissionais e Promotoras dos Direitos das Famílias Atípicas (PDAs) realizaram mobilizações em frente às sedes do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), em diferentes municípios gaúchos. Realizado ontem (21), o ato buscou dar visibilidade às dificuldades de acesso a serviços de saúde e educação por famílias de pessoas autistas e portadoras de outras neurodivergências. 
Contando os dias para a Copa do Mundo feminina? A boa notícia é que a seleção brasileira de futebol não vai demorar para jogar em Porto Alegre: as vendas para o amistoso com a Argentina na capital, em 10 de outubro, já começaram

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Radar político
O percentual de eleitores gaúchos que não compareceram às eleições cresceu nos últimos anos: de 16,79% em 2014 para 19,78% em 2022. O fenômeno pode ser explicado pela descrença nas instituições e a disseminação de notícias falsas.

As denúncias de assédio eleitoral nos primeiros dias de setembro deste ano ultrapassaram o total do mês registrado nas eleições de 2022. Até o dia 13, o Ministério Público do Trabalho recebeu 114 denúncias, ante 68 no último pleito geral. 

CULTURA

“Morte e Vida Madalena” celebra o cinema como resistência

Foto: Embaúba Filmes

Novo longa-metragem do diretor cearense Guto Parente, Morte e Vida Madalena (2025) acompanha os perrengues de uma produtora de cinema que precisa lidar com a morte recente do pai, o desaparecimento do diretor de seu próximo projeto às vésperas do início das filmagens e uma gravidez de oito meses. Em meio a uma sucessão de imprevistos, ela tenta manter a produção de pé e fazer o filme acontecer. Leia resenha.


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