A distância que hoje separa o Flamengo da dupla GreNal não nasceu no Rio. Ela nasceu aqui.
É confortável olhar para o Flamengo e dizer que virou um gigante inalcançável, mas isso explica só metade da história. A outra metade é bem menos glamourosa e diz respeito ao que Grêmio e Internacional deixaram de fazer enquanto o futebol brasileiro mudava de patamar.
É óbvio que o Flamengo se organizou, profissionalizou gestão, ampliou receitas e planejou o futuro. O Palmeiras fez o mesmo e colhe resultados. Não foi mágica, foi decisão. Enquanto isso, a dupla GreNal discutia crises internas, trocava projetos por improviso e confundia grandeza histórica com salvo-conduto eterno.
Convém lembrar alguns fatos. O Internacional, em 2006, derrotou o maior time da Europa naquele momento, o Barcelona de Ronaldinho e companhia. Antes disso, o São Paulo passou pelo Liverpool e o Corinthians venceu o Chelsea. Não estamos falando de lendas distantes, isso é futebol recente.
O próprio Flamengo, apesar de todo o poder atual, ainda não conseguiu vencer um gigante europeu nas duas finais que disputou nos últimos anos. O grande feito rubro-negro segue sendo o time de Zico atropelando o Liverpool por três a zero em 1981. História pesa, mas não joga sozinha.
O que mudou foi o entorno. Flamengo e Palmeiras entenderam que futebol moderno se faz com gestão, planejamento e visão de longo prazo. Outros clubes também acordaram. O Botafogo virou SAF, ganhou Brasileirão e Libertadores e hoje está em outro patamar. O Bahia, com o grupo City, cresce de forma consistente. O Cruzeiro virou SAF, reorganizou a casa e voltou a ser competitivo.
Enquanto isso, por aqui, o discurso segue sendo de desolação. Falta dinheiro, falta elenco, falta sorte, falta tudo. Menos autocrítica. A dupla GreNal parou no tempo enquanto o futebol brasileiro acelerava.
O problema não é o Flamengo estar longe. O problema é Grêmio e Inter terem ficado para trás. Ou mudamos o modelo de gestão, com coragem para romper vícios antigos, ou vamos continuar vivendo de memória, olhando taças empoeiradas e chamando isso de tradição. Protagonismo não se herda. Se constrói.