Com o tema “O Brasil vive aqui”, a 23ª edição do João Rock reuniu 65 mil pessoas no último sábado (1º/8) no Parque Permanente de Exposições, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Durante mais de 12 horas de programação, 34 atrações se dividiram entre cinco palcos dedicados à pluralidade da música brasileira. Contando a partir deste ano com a parceria da produtora gaúcha Opus Entretenimento, o festival deve ganhar em breve uma edição em Porto Alegre – provavelmente já em 2027.
Ao reunir artistas, ritmos e expressões culturais de diferentes regiões do país, o festival reafirmou o perfil de ser um espaço para a brasilidade, conectando públicos e gerações em torno da música nacional – recebendo tanto artistas consagrados como nomes emergentes.

O Palco Brasil é a expressão explícita desse compromisso com a representatividade sonora do país. Com o mote "De Norte a Sul", o espaço reuniu artistas das cinco regiões do país.
Os Tucumanus dividiram a apresentação com Victor Xamã em um show marcado por referências à cultura amazônica. Na sequência, a Nação Zumbi levou ao palco seu elétrico manguebeat e os ritmos pernambucanos, contagiando a plateia no final de tarde.

Já Armandinho provou mais uma vez que é um dos artistas gaúchos de maior projeção nacional, apresentando para o público que compareceu em peso ao seu show um desfile de sucessos como Analua, Outra Vida e Pescador. Mais tarde, Marcelo D2 recebeu Rael em um encontro entre rap e samba. Os Raimundos encerraram a programação do palco com clássicos da carreira e músicas de seu trabalho mais recente.

Principal espaço do festival paulista, o Palco João Rock tinha duas bocas de cena, permitindo agilidade na sequência das atrações – enquanto um artista se apresentava em um dos espaços, o show seguinte era preparado no set ao lado. Um dos destaques desse palco foram os painéis de LED: ao todo, foram 1,2 mil metros quadrados de telas de alta definição, integrando imagens, iluminação e conteúdos visuais aos shows.
O Palco João Rock recebeu nomes como Chico Chico, Lagum, Detonautas iniciando no festival a turnê Rádio Love Nacional, Os Paralamas do Sucesso apresentando grandes sucessos da carreira e CPM 22 – que fez o público vibrar e preparou uma surpresa ao receber o cantor Di Ferrero para dividir os vocais de Dias Atrás.

Encerrando a noite, o projeto Charlie Brown Jr. Acústico fechou a programação ao lado de Negra Li e Marcelo Nova, além de uma participação surpresa de Tico Santa Cruz.
Dedicado à presença feminina na música brasileira, o Palco Aquarela recebeu artistas de diferentes gerações, estilos e sonoridades. Urias abriu a programação, seguida por Rachel Reis e Luedji Luna – que apresentou um repertório marcado por influências afro-brasileiras, jazz e r&b.

Em seguida, Marina Sena celebrou sua terceira participação no João Rock e brincou com a possibilidade de manter uma residência no festival. Ana Carolina encerrou as apresentações do espaço com um repertório que percorreu seus 25 anos de carreira.
Voltado à produção independente e aos artistas que vêm conquistando projeção nacional, o Palco Fortalecendo a Cena incluiu Ajulliacosta apresentando faixas do álbum Novo Testamento e Yago Oproprio recebendo Rô Rosa em uma participação surpresa.
Djonga também relembrou no palco sua passagem pelo João Rock em 2019 e reafirmou seu compromisso com o fortalecimento do rap nacional. Criolo celebrou a potência da nova geração do rap (“Vou aprender com quem está fazendo o som agora”) e encerrou a noite no espaço.
Um dos destaques da edição 2026 do João Rock foi a reafirmação da potência e da diversidade da música que vem do Nordeste. Além da energia dos pernambucanos da Nação Zumbi, que eletrificam e modernizam referências musicais tradicionais da região, o palco principal recebeu representantes nordestinos de diferentes gerações e estilos.
Os veteranos Zé Ramalho e Alceu Valença conduziram alguns dos momentos mais marcantes da maratona musical, apresentando clássicos de suas carreiras, como Avohai, Chão de Giz e Admirável Gado Novo (do paraibano Ramalho) e Como Dois Animais, Morena Tropicana e Anunciação (do pernambucano Valença). Curiosamente, ambos cantaram em seus shows Táxi Lunar, parceria dos dois com o pernambucano Geraldo Azevedo.


Como sempre, a BaianaSystem fez um show de alta voltagem, colocando a galera para cantar, dançar e pular nas tradicionais rodas que se abrem no meio do público. A catártica celebração sonora da banda baiana contou com convidados não anunciados antecipadamente no palco: BNegão e Vandal.

- Roger Lerina viajou a Ribeiro Preto a convite do festival João Rock
