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"Chernobyl" relembra o desastre nuclear na Ucrânia

Série da HBO revela os bastidores do acidente com a usina atômica da URSS

"Chernobyl" relembra o desastre nuclear na Ucrânia
HBO/Divulgação

Estamos perto dos 40 anos desde o pior acidente nuclear da História, que aconteceu na Ucrânia, em 1986. Dos que sabemos que houve, os piores são três: Fukushima, no Japão, após o grande tsunami de 2011; Three Mile Island, na Pensilvânia, em 1979, e o rei de todos, Chernobyl.

Eu acho muito engraçado ouvir porta-vozes pagos que garantem que a geração de energia nuclear é segura. Segura, cara pálida? COMO?

Não sei se os meus estimados e estimadas leitores/as sabem como funciona uma central nuclear. Basicamente se aproxima urânio enriquecido e ele começa a produzir uma reação em cadeia controlada de fissão nuclear, em que os átomos de urânio são divididos em duas partes com menos massa do que o átomo original, e essa massinha a menos se converte em energia pela equação genial do nosso genial Eistein, E=mc2, onde cada massinha de urânio que desaparece se transforma em energia na potência quadrada da velocidade da luz.

Esse processo satânico aquece água, que ao mesmo tempo resfria, modera a reação nuclear, e vira vapor de altíssima pressão que faz girar os geradores de eletricidade.

O que poderia dar errado?

A diferença, caros leitores/as, é que, quando algo dá errado numa hidrelétrica, uma torrente de água sai vale abaixo causando destruição local, o que pode ser reduzido com diques. Um desastre numa usina eólica pode causar danos a pássaros que estejam migrando por ali. Um desastre numa usina nuclear pode espalhar centenas e centenas de quilos de urânio e outros elementos radioativos, que se espalham pelo ar, pela atmosfera, atingindo centenas e centenas de quilômetros, podendo irradiar tudo pelo caminho. Além disso, a central nuclear propriamente dita vai se transformar numa lareira nuclear a céu aberto, contaminando tudo ao redor, e, em contato com o lençol freático, explodir e lançar toneladas de material radioativo pra todo canto, e que vai permanecer radioativo por séculos.

Suave, não é mesmo?

E, mesmo agora, em tempos de geração barata de energia renovável, como solar e vento, tem gente querendo botar pra quebrar na geração de energia nuclear. No Brasil, um dos lugares com matriz energética mais limpa do mundo, não falta quem ligue o berrante pedindo que se finalize Angra 3. A energia nuclear produz 1,8% de toda a nossa eletricidade, e Angra 3 custa 1 bi por ano pra não funcionar. Por que não acabar logo com isso?

Após essa terna apresentação dos meus motivos pra gostar tanto da energia nuclear, vem o convite a todos para verem, se ainda não viram, a bela e triste Chernobyl, da HBO.

A gente tende a repetir os erros, se não aprendermos com eles. Chernobyl é um exemplo de como sistemas fechados, como o da União Soviética, produzia absurdos. Mas, lembremos que os dois outros acidentes foram no Japão e Estados Unidos, sendo que nos liberais Estados Unidos as usinas nucleares são propriedade privada – corporações, com toda aquela preocupação com os resultados trimestrais – cuidando da segurança.

O mundo é um lugar naturalmente perigoso, tornado mais perigoso por nossa obsessão por riscos lucrativos.

Chernobyl era um risco enorme, sem buscar o lucro. Eu tremo só em pensar no que acontece na Rússia de hoje.

Um desastre nuclear não fica limitado ao país que decidiu investir no risco, e por isso mesmo é muito importante saber o que acontece se a central do país vizinho explode.

Se eu fosse vocês, veria.

Vejam.

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