Pular para o conteúdo

Festival transforma a menstruação em tema de arte, reflexão e experiência do corpo

1º Festival Latino-Americano de Artes e Menstruação (FLAM) terá performances, mostras artísticas, cine-debates e oficinas, reunindo artistas, pesquisadoras e ativistas do Brasil e da América Latina entre 24 e 29 de março de 2026, na Casa de Cultura Mário Quintana, Casa Mel e outros espaços culturais

Festival transforma a menstruação em tema de arte, reflexão e experiência do corpo

Entre os dias 24 e 29 de março, Porto Alegre recebe uma intensa e diversa programação artística e formativa que marca a realização do 1º Festival Latino-Americano de Artes e Menstruação (FLAM). O público é convidado a participar de uma jornada criativa que reúne performances, mostras de cinema e videoarte, oficinas, rodas de conversa, painéis e ações educativas em diferentes espaços da cidade.

Entre os destaques estão mesas sobre políticas públicas e dignidade menstrual, apresentações artísticas como a performance “Rubra Fluidez” de Camila Matzenauer e o monólogo “Da Puberdade à Menopausa” de Angela Dippe, além de uma mostra contínua de cinema e videoarte com produções latino-americanas. A programação também inclui oficinas e palestras com educadoras menstruais e artistas, abordando temas como educação menstrual, corpo, ancestralidade, saúde, arte e ativismo, além de ações descentralizadas.

O evento propõe colocar a menstruação no centro da criação artística e do debate público, reunindo artistas, pesquisadoras, educadoras e ativistas de diferentes regiões do Brasil e de países da América Latina. A proposta é reconhecer a arte menstrual como linguagem, campo de pesquisa e prática de transformação social, abordando temas relacionados ao corpo, ciclicidade, gênero, sexualidade, direitos das mulheres e dissidências de gênero, a partir de perspectivas decolonial, ecofeminista e antirracista. A programação ocorre na Casa de Cultura Mário Quintana, Casa Mel e outros espaços. 

As inscrições para algumas oficinas e palestras estão abertas e podem ser feitas pelo link.

Arte, cultura e transformação social

 Segundo Paola Mallmann, uma das organizadoras do evento, a iniciativa amplia o entendimento sobre o tema ao situá-lo também no campo cultural. “Nós estamos acostumados, como sociedade, a entender a menstruação apenas como um fenômeno biológico. A menstruação passa pelo corpo e o corpo é uma construção social, a forma como a sociedade molda também as experiências desse corpo nos seus diferentes meios sociais, geográficos, culturais e históricos. E tudo isso é cultura. Ou seja, as experiências, sentidos, práticas, crenças, expressões, significa que a experiência da menstruação também é uma experiência transpassada pelas dinâmicas culturais.”, afirma.

A proposta é dar visibilidade a produções artísticas e pesquisas desenvolvidas por mulheres e pessoas que menstruam, fortalecendo redes latino-americanas e promovendo reflexões sobre os impactos sociais, políticos e simbólicos do ciclo menstrual, para isso foi feito um mapeamento cultural dentro das ações do projeto.

 "Desde 2017 a menstruação e outras questões de gênero ocupam o centro da minha criação artística A proposta com o mapeamento que realizamos foi a de registrar quem são as/os artistas contemporâneas/os que estão criando sobre menstruação hoje e assim poder visualizar o que nos une além das singularidades de cada território Latinoamericano. Conhecer a diversidade de artistas enriqueceu muito a programação do evento.”, comenta Camila Matzenauer, uma das idealizadoras do FLAM.

Entre as presenças confirmadas estão Carolina Ramírez, psicóloga social e psicoeducadora menstrual; Johanna G. Novarin, performer e diretora artística; Angela Dippe, atriz e escritora; Isa Graciano, artista visual e educadora menstrual; Maria Chantal, educadora corporal; Caroline Amanda (Yoni das Pretas), cientista social e psicanalista; Garotas de Vermelho, desenvolvido pelo Coletivo Luisa Marques em escolas da periferia de Porto Alegre, com a Contação de Histórias sobre Menstruação, a performance Rubra Fluidez, de Camila Matzenauer, a performance Vientos del Sangre Eliana Gomes, entre outras. O evento também contará com mesa sobre políticas públicas com a presença confirmada da deputada Maria do Rosário e Sofia Cavedon.

Realização

O FLAM é uma iniciativa da Opará Cultural, com parceria da Rubra: Arte e Educação. O projeto conta com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e realização do Pró-Cultura e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Ministério da Cultura e Governo Federal.

PROGRAMAÇÃO

24 de março (terça-feira) – Casa Mel
18h às 20h – Performance Tocar a Terra + Mostra de Cinema e Videoarte FLAM (“Kuñha Karaí e as Narrativas da Terra”)

25 de março (quarta-feira)

Manhã – Escola Municipal de Ensino Fundamental de Surdos Bilíngue Watnick
10h – Palestra “Sinais vermelhos: Quebrando o tabu menstrual”, com Caro Ramirez

Tarde – Casa Mel
15h às 17h – Oficina “Como tornar a escola um lugar seguro para menstruar?”
17h às 17h45 – Contação de Histórias da Menstruação (Projeto Garotas de Vermelho)
18h – Boas-vindas do FLAM
18h30 às 20h – Mostra de Cinema e Videoarte FLAM

26 de março (quinta-feira) – Casa de Cultura Mario Quintana
09h30 – Cerimônia de abertura
10h – Painel sobre políticas públicas, saúde e educação menstrual
11h – Painel sobre dignidade menstrual em crises
14h às 16h – Mesa “Educação menstrual, Arte e Infâncias”
16h às 17h – Dança circular 50+
17h às 18h30 – Mostra de Cinema (Cinemateca Paulo Amorim)
18h30 – Performance “Rubra Fluidez”
19h às 20h – Monólogo “Da Puberdade à Menopausa”

27 de março (sexta-feira) – Casa de Cultura Mario Quintana
09h30 – Painel “Arte: contestação e cura”
10h30 – Palestra “O que rebolar tem a ver com menstruar?”
14h às 16h – Mesa “Pesquisa e Arte Menstrual”
16h às 16h40 – Performance + conversa
17h às 18h – Palestra “Toda a Vulva é Bela”
18h às 19h30 – Oficina “Descolonize seus quadris”
19h às 20h30 – Mostra de Cinema e Videoarte

28 de março (sábado) – Casa de Cultura Mario Quintana
10h – Roda de conversa “A arte de cuidar do ventre”
14h às 16h – Oficina Performance Coletiva
16h – Palestra “Corpos que lembram, sangram e educam”

29 de março (domingo) – Casa de Cultura Mario Quintana
10h30 às 12h – Dança circular 50+
14h30 – Roda de encerramento
14h30 às 17h – Oficina/saída performática

FLAM – 1º Festival Latino-Americano de Artes e Menstruação
Data: 25 a 29 de março de 2026
Local: Casa de Cultura Mário Quintana, Casa Mel e outros espaços
Produção: Opará Cultural
Parceria: Rubra – Arte e Educação

Mais em Cultura

Ver tudo

Mais de Redação Matinal

Ver tudo