A América Latina é repleta de histórias que cruzam fronteiras. Mas há também narrativas que, por motivos diversos, desde silenciamentos até barreiras do mercado editorial, têm dificuldades para encontrar público em outros países. A partir dessa inquietação, a Bancaberta promove o Clube de Livro Senderos, um percurso literário para além dos autores consagrados, com foco em escritoras e escritores que produzem obras intensas, singulares e urgentes.
O primeiro encontro do clube em 2026 está marcado para o dia 28 de fevereiro, às 15h, na Praça Berta Starosta, junto à banca de livros Bancaberta, entre as ruas Felipe Camarão e Ramiro Barcelos, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. A conversa terá como tema o livro A Insubmissa, da uruguaia Cristina Peri Rossi, romance de formação autobiográfico que acompanha a infância e juventude da escritora, contadas a partir da estranheza e perplexidade diante de um mundo sempre em conflito com seus desejos.
Para fazer parte do clube, basta ler o livro de cada edição e participar gratuitamente das conversas. Não é necessário comprar as publicações na banca, mas quem adquire as obras na Bancaberta recebe de cortesia um “passaporte” da viagem literária, com desenhos do ilustrador Giovani Domingos.





Carimbos do Clube Senderos. Arte: Giovani Domingos
Inaugurada em outubro de 2024, a Bancaberta foi idealizada por Tito de Fraga para ser um espaço de formação de público, visibilidade e consolidação da cena editorial independente. Com o mote “Ocupe uma praça”, buscou ressignificar a Praça Berta Starosta, usando o espaço público para valorizar a literatura e a arte gráfica.
A banca abre espaço para projetos que estimulam a cultura, como o Tiny Banca, inspirado no programa Tiny Desk, com shows de artistas locais, além de clubes de leitura, como o Senderos. “Essa vontade de focarmos em literatura contemporânea vem por duas razões principais: primeiro, pelo fato de a Bancaberta ser um espaço que promove principalmente artistas independentes, que muitas vezes ainda estão deslanchando suas carreiras, então queríamos valorizar ao máximo autores e obras que não estivessem necessariamente já consolidados no cânone e no imaginário de cada um desses países”, explica Alice Elnecave, livreira responsável pelo projeto junto de Tito.
“O segundo motivo é que o clube tem essa pretensão de tentar visitar facetas do nosso continente que fujam das visões já estabelecidas da América Latina, e achamos que a literatura contemporânea podia nos ajudar na busca por esse frescor e essa pluralidade”, completa.
No ano passado, o clube promoveu cinco encontros, abordando as obras Xamãs Elétricos na Festa do Sol, da equatoriana Mónica Ojeda, O Livro de Aisha, da mexicana Sylvia Aguilar Zéleny, A Biblioteca Fantasma, do peruano David Hidalgo, Os Continentes de Dentro, da venezuelana María Elena Morán e Terra Fresca de Sua Tumba, da boliviana Giovanna Rivero.
Nas edições em torno dos livros de Hidalgo e Morán, os participantes do clube contaram com a presença dos autores na praça Berta Starosta. Em 2026, a iniciativa receberá a mexicana Sylvia Aguilar Zéleny, cuja obra foi debatida no ano passado.
Ao ler a América Latina no espaço público, a partir de vozes plurais, a Bancaberta redesenha o mapa literário do continente.
Onde: Praça Berta Starosta – junto à Bancaberta, entre as ruas Felipe Camarão e Ramiro Barcelos – Bom Fim – Porto Alegre
Horário: 15h
Livro disponível para compra na banca por R$ 78,00
Participação gratuita na conversa