A 30ª edição do CINE/PE chegou ao fim na noite deste domingo (7), encerrando uma semana histórica para o audiovisual brasileiro. Mais do que celebrar três décadas de existência, o festival tornou-se um símbolo de resistência, continuidade e amor ao cinema nacional em um momento de profunda emoção para toda a sua equipe.
Finalizada poucos dias após o falecimento de seu idealizador, Alfredo Bertini, a edição de 2026 foi marcada por uma mobilização coletiva para que o festival acontecesse da forma como ele sempre desejou. Entre homenagens, exibições e encontros, convidados, realizadores, parceiros, imprensa e equipe transformaram a dor da despedida em uma celebração do legado construído ao longo de 30 anos.
Para Sandra Bertini, diretora do festival, a realização desta edição só foi possível graças à rede de afeto construída por Alfredo ao longo de sua trajetória. “Vivemos dias muito difíceis, mas também muito bonitos. Recebemos demonstrações de carinho de todos os lugares do Brasil. Dos realizadores, dos convidados, da imprensa, dos parceiros e da nossa equipe. Foi uma edição marcada por um sentimento muito especial, porque ao mesmo tempo em que sentimos a ausência de Alfredo, celebramos tudo o que ele construiu. O amor que ele dedicou ao cinema voltou para nós em forma de acolhimento. Tenho certeza de que ele estaria muito feliz e emocionado com tudo o que aconteceu aqui.”
Para Vitor Bertini, que passa a dividir com a mãe a responsabilidade de conduzir o futuro do festival, a continuidade do CINE/PE representa o compromisso de preservar um legado construído ao longo de três décadas. “Meu pai dedicou a vida a este festival. Cresci acompanhando os bastidores do CINE/PE e vendo de perto o amor que ele tinha por esse terceiro filho. Assumir essa responsabilidade ao lado da minha mãe é uma missão que carrego com muito orgulho e senso de dever. Nada vai substituir a presença dele, mas vamos trabalhar para honrar sua memória e garantir que esse legado continue vivo pelas próximas gerações.”
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de encerramento foi a homenagem prestada à Gullane Entretenimento, uma das mais importantes produtoras do audiovisual brasileiro. Representando a empresa, Fabiano Gullane recebeu a Calunga Dourada em reconhecimento à contribuição da produtora para o fortalecimento do cinema nacional. “Eu fiquei muito emocionado quando o Alfredo e a Sandra me chamaram. O Bicho de 7 Cabeças foi o primeiro filme da Gullane e foi muito importante pra gente estar aqui com ele. Então, a história da Gullane se mistura com a do CINE/PE.”
Na Mostra Competitiva de Longas-Metragens, o grande vencedor da noite foi “Resta Um”, de Fernando Ceylão (GO/RJ), que conquistou a Calunga de Melhor Filme pelo Júri Oficial. O longa também recebeu os prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante. “Essa é a nossa estreia no festival. Um momento muito importante pra gente", afirmou Catarina Chmon, responsável pela produtora do filme.
O prêmio de Melhor Direção ficou com Eliza Capai, por “A Fabulosa Máquina do Tempo” (RJ), filme que também recebeu as Calungas de Melhor Trilha Sonora, Melhor Atriz e foi escolhido pela Abraccine como Melhor Longa-Metragem da edição.
Na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais, o destaque foi “Os Arcos Dourados de Olinda”, de Douglas Henrique (PE), vencedor da Calunga de Melhor Filme, além dos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Montagem. “Esse filme foi feito a partir da coletividade das histórias. Esse é o cinema em que acredito: um cinema feito em Pernambuco e para as pessoas de Pernambuco”, destacou Douglas Henrique.
Já na Mostra Competitiva de Curtas Pernambucanos, o grande vencedor foi “Os Urso e Nós”, de Maria Acselrad, que conquistou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Edição de Som, Melhor Trilha Sonora e também o Prêmio Especial do Público. “Eu perguntei aos Ursos o que eles gostariam de dizer e a resposta foi uníssona: a La Ursa quer dinheiro, quem não dá é pirangueiro. Mas eles não querem só dinheiro, não. Eles querem o fortalecimento da cultura”, pontuou Maria Acselrad, diretora do filme.
CONFIRA A LISTA VENCEDORES:
Filme: “Resta Um”, De Fernando Ceylão de Goiás e Rio de janeiro
Prêmio Especial do Público: “Mapas”, de Rafael Lobo.
Diretor: Eliza Capai, pelo filme “A Fabulosa Máquina do Tempo” do Rio de Janeiro
Roteiro: Fernando Ceylão, pelo filme “Resta Um” de Goiás e Rio de Janeiro
Fotografia: Emília Silberstein, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal
Montagem: Rafael Lobo e Tainá Menezes, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal
Edição de Som: Olivia Hernandez, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal
Direção de Arte: Débora Padial e Laís Vieira, pelo filme “Doutor Monstro” do Paraná e São Paulo
Trilha Sonora: Décio 7, pelo filme “A Fabulosa Máquina do Tempo” do Rio de Janeiro
Ator: Caíque Copque, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal
Atriz: O coletivo de atrizes do filme "A Fabulosa Máquina do Tempo" do Rio de Janeiro
Ator Coadjuvante: Ítalo Martins, pelo filme “Resta Um” de Goiás e do Rio de Janeiro
Atriz Coadjuvante: Perla Carvalho, pelo filme “Resta Um” de Goiás e do Rio de Janeiro
Filme: “Os Ursos e Nós”, de Maria Acselrad
Prêmio Especial do Público: “Magritte”, de Tom Nogueira
Direção: Maria Acselrad, pelo filme “Os Ursos e Nós”
Roteiro: Eduardo Santiago, pelo filme “Velha Roupa Colorida”
Fotografia: Willian Tenório, pelo filme “Salam”
Montagem: Rafaela Albuquerque e Williian Tenório, pelo filme “Salam”
Edição de Som: Felipe Peixoto, pelo filme “Os Ursos e Nós”
Direção de Arte: Andrew Gladson e Eduardo Padrão, pelo filme “Medo Monstro”
Trilha Sonora: Sérgio Godoy, pelo filme “Os Ursos e Nós”
Ator: Beto Aragão pelo filme “Velha Roupa Colorida”
Atriz: o júri da mostra de curta-metragens pernambucanos decidiu declarar deserta a categoria de melhor atriz.
Filme: “Os Arcos Dourados de Olinda”, de Douglas Henrique, de Pernambuco
Prêmio Especial do Público: “Mercado Central”, de Tássia Dhur.
Direção: Daniel Jaber e Lu Damasceno, pelo filme “João-de-Barro” de Minas Gerais
Roteiro: Arnon Hochman e Douglas Henrique, pelo filme “Os Arcos Dourados de Olinda” de Pernambuco
Fotografia: Danilo Rosa, pelo filme “Mercado Central” do Maranhão
Montagem: Douglas Henrique, pelo filme “Os Arcos Dourados de Olinda” de Pernambuco
Edição de Som: Jonts Ferreira, pelo filme “O véu” do Rio Grande do Sul
Direção de Arte: Neila Albertina, pelo filme “Mercado Central” do Maranhão
Trilha Sonora: Heitor Martins Oliveira, pelo filme “Da Aldeia à Universidade” do Tocantins
Ator: Daniel Jaber, pelo filme “João-de-Barro” de Minas Gerais
Atriz: Gleide Firmino, pelo filme “Via Sacra” do Distrito Federal
Melhor Longa-Metragem: “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, do Rio de Janeiro
Melhor Curta-Metragem: “Mercado Central”, de Tássia Dhur, do Maranhão