No dia em que o inesquecível Leonel de Moura Brizola completaria 104 anos, saíram as indicações ao Oscar 2026. Qual a relação? Brizola era um nacionalista, vibrava com as conquistas do Brasil. Mas não se dobrava ao imperialismo norte-americano. Se vivo fosse, estaria detonando as loucuras de Donald Trump com argumentos e imagens que quebrariam as redes sociais. Do que chamaria o intragável Trump: sapo alaranjado?
O Brasil conquistou cinco indicações ao Oscar: quatro com O Agente Secreto (melhor filme, filme internacional, seleção de elenco e melhor ator para Wagner Moura) e fotografia para Adolpho Veloso por Sonhos de trem.
Acho que o Brasil vai faturar três estatuetas: melhor ator, melhor filme estrangeiro e fotografia com Adolpho Veloso. Seria grandioso. Wagner Moura me parece com a mão no troféu. Não me espantarei se a seleção de elenco de O Agente Secreto sair condecorada. Que safra! De tirar o chapéu!
Eu só não daria a Kleber Mendonça Filho o prêmio de melhor diretor, nem a estatueta de melhor roteiro original ao seu filme. A obra é meio descosturada, o que muitos acham uma qualidade, até pode ser, e o roteiro tem furos, coisas que ficam sem motivação, nem explicação – o que é relativizado facilmente. Não deixa de ser curioso um filme ser o melhor e não ter o melhor diretor nem o melhor roteiro, mas faz parte do jogo.
Como Brizola, na minha dimensão minúscula, torço pelo Brasil, pelo seu futebol e pela sua arte. Vestirei a camiseta de O Agente secreto.
Só não comerei um balde de pipoca com manteiga por não curtir esse esporte internacional de sala, salão e cinema de shopping center.
Alguns nomes que me parecem imbatíveis estão obviamente na lista dos indicados: Hamnet, como melhor filme; Jessie Buckley, como melhor atriz, por seu papel como esposa de Shakespeare em Hamnet; e Pecadores, que ainda não vi, mas garantiu 16 indicações, recorde de todos os tempos no Oscar.
Esse jogo dos prêmios pega a gente. Gostamos de apostar e de torcer por brasileiros. Já entramos em clima de Copa do Mundo com o Oscar.
Tenho tudo para não gostar do badalado Pecadores, filme de terror sobre vampiros. Acontece que, segundo li, esses vampiros simbolizam o racismo. Ou seja, pode ter complexidade por trás do vampirismo em moda.
Tudo indica que estamos diante de uma colheita extraordinária de filmes indicados ao Oscar. Sonhos de Trem e Hamnet são excelentes.
Aguardo o ano em que o filme sobre vampiros com mais indicações na história do Oscar será Donald, o furioso, de Quentin Tarantino, com Leonardo DiCaprio no papel do fanfarrão mais poderoso e louco do mundo.
Como faz falta um Leonel Brizola para nos ajudar a exorcizar os nossos medos com tiradas e apelidos impagáveis sobre os trancos da história, que nunca para de ter sobressaltos e de nos ridicularizar.
Outro tema fascinante: Trump na Groenlândia, por um pedaço de gelo.
O cinema europeu está ficando cada vez mais para trás. Se duvidar, será ultrapassado pela China e pela Rússia. Cinema exige força e ousadia.
Ousadia que Brizola tinha de sobra.