Confira todos os textos da edição #317
- Susana, a casta, e Daniel, o profeta – Uma história mal contada, por José Roberto Iglesias
- Lei Rouanet: dados e contradições em tempos de enchente, por Álvaro Magalhães
- Histórias de Autógrafos: Ian McEwan em “Reparação”, por Carlos Gerbase
- O cotidiano que não pode ser visto a olho nu em O Agente Secreto, por Lisiane Leffa
- De almas mortas à família assassinada, por Juremir Machado da Silva
- 1909: A chegada de Giuseppe Gaudenzi a Porto Alegre, por Arnoldo Doberstein
- Cony 100 anos – O quase prêmio, por Marina Ruivo
- Reinaldo José Lopes: "Hoje a necessidade de atuar em diferentes linguagens é essencial", por Luís Augusto Fischer
- A medida das coisas humanas: Capítulo VII, por Helena Terra
Li no avião, de Porto Alegre a Recife, voo direto de quatro horas, o romance O adversário, do francês Emmanuel Carrère, que adotou um método próprio: pega uma notícia de jornal e a partir desse fragmento desenvolve um romance em tom de grande reportagem. Truman Capote fez isso no clássico romance de não ficção À sangue frio. No caso de O adversário, Carrère conta a história de um sujeito mitômano, que se fazia passar por médico e dizia trabalhar na OMS, em Genebra, até que, temendo ser desmascarado, depois de muito anos, mata a mulher, os filhos e seus velhos pais. Não queria que eles tivessem a decepção de saber a verdade.
A história é bem contada? Muito. Carrère escreve com a limpidez de um grande jornalista e a capacidade de análise psicológica de um magistral romancista. A leitura prende? Totalmente. Não se para um instante. Nem mesmo para comer aquele amendoim horrível servido pela Azul. O livro foi bem recebido pela crítica? Só aplausos. The Guardian disse que se trata de uma obra “escrita com profundidade investigativa e a empatia de um romance”. Le Monde garante que “Carrère não apenas reconstituiu a engrenagem dos crimes, mas buscou compreender quais forças obscuras moviam seus mecanismos”. Disse ainda que o escritor “se expôs ao perigo, e seu livro desponta incandescente dessa imersão”. Ou seja, uma obra-prima.