Confira todos os textos da edição #317
- Susana, a casta, e Daniel, o profeta – Uma história mal contada, por José Roberto Iglesias
- Lei Rouanet: dados e contradições em tempos de enchente, por Álvaro Magalhães
- Histórias de Autógrafos: Ian McEwan em “Reparação”, por Carlos Gerbase
- O cotidiano que não pode ser visto a olho nu em O Agente Secreto, por Lisiane Leffa
- De almas mortas à família assassinada, por Juremir Machado da Silva
- 1909: A chegada de Giuseppe Gaudenzi a Porto Alegre, por Arnoldo Doberstein
- Cony 100 anos – O quase prêmio, por Marina Ruivo
- Reinaldo José Lopes: "Hoje a necessidade de atuar em diferentes linguagens é essencial", por Luís Augusto Fischer
- A medida das coisas humanas: Capítulo VII, por Helena Terra
Entre 1910 e 1914, Porto Alegre experimentou um impulso construtivo extraordinário. Não só pelos novos prédios (512, em 1911, para 9.135 existentes em 1895) mas pela sua vistosa ornamentação que, em certos casos, ia de 5% a 10% do custo total. Na base deste processo esteve o aumento dos recursos estatais e particulares, após a ligação ferroviária entre a capital gaúcha e o interior do estado (concluída no início do século 20) e melhoramentos dos portos e frotas navais. Mas com a Europa se preparando para a guerra, iniciada em 1914, havia muita incerteza e a velha “aversão ao risco”. No caso, investir em terrenos, próprios ou adquiridos, e valorizá-los com prédios suntuosos, parece que se tornou a opção. E ainda, os que assim procedessem podiam ser vistos como “verdadeiros capitalistas”, interessados em “embelezar a cidade”, diferente dos “homens de dinheiro” que só “erguiam prédios rústicos, sem beleza e sem arte” (Correio do Povo, 1904, p. 1).
É neste contexto que aportaram em Porto Alegre uma série de estatuários espanhóis, italianos, alemães e austríacos. Entre eles Giuseppe Gaudenzi, nascido na Itália, em 1875. Estudou desenho e pintura nas escolas de Belas Artes de Bolonha e Roma, aprendeu ornamentação de interiores, com Giuseppe Cellini, e praticou escultura com Ettore Ferrari. Laureado em diversos concursos, foi escolhido para decorador de salões da Exposição de Belas-Artes de Veneza, de 1900, e contratado como professor do Instituto Técnico Profissional de Roma. Foi neste cargo que conheceu Pedro Weingartner, que o recomendou para lecionar no Instituto Técnico Profissional de Porto Alegre. Transferiu-se em 1909, começando a lecionar no ano seguinte (Fig. 1).