Tem aquele poema do João Cabral chamado “Fábula de um arquiteto”, em que ele expressa seu desconforto com uma capela desenhada por Le Corbusier. João Cabral não gostou nada da capela toda fechada – o poema começa com um verso forte – “A arquitetura como construir portas, de abrir”.
Lembrei dessa imagem para sugerir que a conversa que abaixo se lerá poderia se chamar “A arquitetura como pendurar redes”. Sabe por quê? Bem, o entrevistado, Thiago Benucci, é arquiteto e publicou um livro maravilhoso chamado O jeito yanomami de pendurar redes, livro que foi agraciado com o Jabuti Acadêmico deste ano, em seu campo. O livro saiu na série Estudos da editora Perspectiva, de São Paulo, em 2025.
O caso é que o Thiago viveu essa radical experiência de entrar em contato forte e significativo com os Yanomami, aparelhado de uma boa fluência nos modos de pensar e de ser da antropologia, e/mas com sua formação de arquiteto antes de tudo. O que rolou nessa pororoca cultural está registrado no livro, e serviu para as perguntas que apresentamos para ele, abaixo respondidas com grande generosidade.