Confira todos os textos da edição #338
- Bagre Fagundes, “Gauchesco e brasileiro”, por Adão Villaverde
- Valdete Souto Severo: “É preciso e é possível construir outros modos de conviver”, entrevista por Luís Augusto Fischer
- Todas as minhas mortes, de Júlio Conte, por Guto Leite
- Parar e refletir, por Maria Rosa Fontebasso
- A floresta tem endereço e habitantes, por Alfredo Fedrizzi
- Centenária, por Tiago Maria
- Órbitas dos afetos, por José Mário Neves
- Por que todo entregador do Ifood deve ser pós-modernista?, por Luan Santana Ribeiro
- Grande Sertão é ou não um romance sobre um amor gay? Parte 1, por Juremir Machado da Silva
- Sussuarana – Capítulo VIII, por Alice Elnecave Xavier
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 15 – Parte I, por Gonçalo Ferraz
2023
Não vale a pena atravessar toda a multidão, se enfiar numa fila desse tamanho, só pra, ainda por cima, pagar mais caro na cerveja, ele insiste. Mas ela não quer cerveja, ela quer um drink, e ali é o único lugar em que ela pode comprar um. Mas lá no mercadinho tem Skol beats, tem Mike’s, e ele acha que no bar do outro lado da avenida eles fazem caipirinha. Mas ela precisa ir no banheiro, então mesmo assim tem que passar por aquele bando de gente, e ela não entende por que ele não pode ficar na fila pra ela enquanto ela vai no banheiro sendo que isso não custa nada pra ele. E eu não entendo por que ela não pode ir em busca do drink e do banheiro enquanto ele vai no mercadinho ou no bar do outro lado da rua ou na casa do caralho, como se aqueles vinte minutos longe um do outro fossem o mesmo que ficar vinte minutos sem respirar, mas eu não tenho nada a ver com isso, então me ocupo com o que sobrou no meu copo, que é basicamente só gelo derretido, e, em vez de dar qualquer pitaco, preencho o silêncio com o ronco do canudo.