O colegiado de juízes da 2ª Vara Estadual de Processos e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro revogou a prisão de João Batista Fernandes e Mariles da Silva, vítimas de golpe presas e indiciadas pela Polícia Civil. A decisão foi encaminhada nesta quinta-feira (27), um dia depois que o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) recomendou a liberdade provisória dos dois investigados.
Fernandes, 67 anos, e Silva, 38, foram presos na operação Truck Hunters, que investigava uma organização criminosa que usava galpões alugados para desmontar caminhões furtados, extorquir os motoristas e revender as peças. Documentos da investigação do Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil revelavam que “a organização mantinha um sistema sofisticado para obtenção de documentos falsos. J.B.F. e M.S. tiveram suas identidades utilizadas fraudulentamente em diversos contratos de locação”, como descrito na nota encaminhada à imprensa.
Ainda assim, em outubro, o delegado André Serrão indicou o indiciamento de Fernandes e Silva junto de outras 26 pessoas, alegando que ambos forneceram os documentos sabendo dos crimes. Os dois permaneceram 67 dias detidos até a liberação para o regime de prisão domiciliar, em 17 de novembro.
“Um pesadelo”
“Foi um pesadelo. O jeito que tu é julgada é uma humilhação”, desabafou Mariles da Silva, que foi detida em 11 de setembro, em entrevista à Matinal. Quatro dias depois, sua filha completou 11 anos. “Estava tudo pronto para o aniversário dela. É uma coisa que eu não desejo para ninguém e que eu nunca imaginava passar, ainda mais longe da minha filha”, relatou.
Silva e Fernandes ficaram 18 dias presos sem que a família ou os advogados tivessem acesso aos motivos da detenção. No Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier, ela passou a tomar remédios para ansiedade. “Eu não sabia o porquê de ter sido presa. Eu chorava todos os dias.”
A decisão desta quinta também revoga a prisão de Volnei dos Santos, de 57 anos, detido na Cadeia Pública de Porto Alegre. De acordo com a Polícia, Santos seria um dos receptadores da organização criminosa e compraria peças desmanchadas dos caminhões. Ele está preso há 78 dias. O MP-RS indica que as provas “não são suficientes, por ora, a demonstrar seu envolvimento com o grupo criminoso indiciado” para os três acusados.