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✉️ Reprovação cai, rede de esgoto deficitária e outras notícias desta segunda

Edição #1668

✉️ Reprovação cai, rede de esgoto deficitária e outras notícias desta segunda
Foto: Luís André / Secom

Olá! A reprovação caiu quase pela metade nas escolas estaduais gaúchas em 2025, mas os desafios permanecem nos mesmos lugares. Dados do Censo Escolar mostram que os maiores gargalos seguem concentrados na alfabetização, na transição para os anos finais do Ensino Fundamental e no início do Ensino Médio. E mais:

🦠 RS precisa ampliar em 18 mil quilômetros a rede de esgoto para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento

🏚️ Quilombo Kédi resiste à pressão imobiliária enquanto aguarda a titulação de seu território

🦎 “Lagartear” pode ser mais do que um hábito de inverno: especialistas explicam os benefícios do sol e da bergamota

🎰 Na Tudo É Gênero, Marcela Donini analisa uma Copa paralela: a das bets

❄️ Juremir Machado da Silva sonha com regiões quentes do país enquanto o inverno derruba os termômetros no Sul

🟥 Márcio Chagas e Thiana Orth lembram os cartões distribuídos a pessoas de diferentes nacionalidades, cores de pele e passaportes considerados suspeitos

⚔️ Marcelo Carneiro da Cunha resenha O Cavaleiro dos Sete Reinos, série cuja trama ocorre cem anos antes de Game of Thrones

Boa leitura!

Previsão do tempo: Prepare-se para a semana com casaco e guarda-chuva. Hoje, chove fraco em Porto Alegre, e a temperatura máxima não passa dos 16°C.

Mudança nas regras reduz reprovação, mas não altera gargalos da aprendizagem

A taxa de reprovação nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul caiu quase pela metade em 2025, primeiro ano de vigência da regra que permite ao estudante avançar de série mesmo reprovado em até quatro disciplinas. No Ensino Médio, o índice recuou de 11,1% para 5,8%; no Fundamental, de 6,1% para 2,9%, segundo dados do Censo Escolar divulgados pelo Ministério da Educação.

A queda, porém, não alterou os pontos onde a reprovação historicamente se concentra. Em 2025, as maiores taxas seguiram aparecendo nas mesmas etapas: no 3º ano do Ensino Fundamental, onde a lei permite reprovar por desempenho pela primeira vez, e na transição para os anos finais – 6,5% no 6º ano e 6,7% no 7º ano. O maior índice ficou na 1ª série do Ensino Médio: 9% dos estudantes gaúchos foram reprovados nessa etapa, mais que o dobro da média nacional de 4,4%.

Por que isso acontece? Pesquisadores identificam causas estruturais em cada um desses momentos. No 3º ano, o gargalo reflete dificuldades na consolidação da alfabetização. Na passagem do 5º para o 6º ano, o estudante deixa de ter um único professor de referência e passa a lidar com múltiplos docentes e disciplinas, numa transição que a escola raramente prepara. No início do Ensino Médio, defasagens acumuladas ao longo do Fundamental encontram uma etapa mais exigente, ao mesmo tempo em que cresce a pressão pelo ingresso no mercado de trabalho. Este estudo do Cenpec publicado este ano mostra que a reprovação nesses pontos tende a aumentar o risco de abandono sem garantir melhora na aprendizagem.

Apesar da melhora registrada em 2025, o Rio Grande do Sul segue entre os seis estados com piores índices de reprovação no Ensino Médio. A taxa gaúcha, de 5,6%, é quase o dobro da média nacional de 3% — diferença que a progressão parcial reduziu nos dados, mas não nas causas.

O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

RS precisa ampliar em 18 mil quilômetros a rede de esgoto para cumprir meta de saneamento

De Porto Alegre a Tóquio, no Japão. Os 18 mil quilômetros que separam as cidades dão a dimensão da rede de esgoto que o Rio Grande do Sul ainda precisa construir para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento. Sancionada em 2020, a lei que revisou o marco de 2007 estabeleceu que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e que ao menos 90% conte com coleta e tratamento de esgoto.

Conforme a legislação, a prestação dos serviços de saneamento é compartilhada entre o governo do Estado e os municípios. O saneamento básico abrange quatro áreas: abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto, manejo de resíduos sólidos e drenagem das águas da chuva.

No RS, a coleta e o tratamento de esgoto são os principais desafios. Apenas 25% do esgoto gerado no Estado recebe tratamento antes de retornar à natureza, enquanto 34% da população é atendida por rede coletora e 86% tem acesso à água tratada. Para a presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, a universalização do saneamento esbarra na baixa visibilidade política das obras: 

“Muitas vezes o saneamento é visto como algo que vai quebrar o pavimento e atrapalhar o trânsito. É algo que não dá voto”.

O Trata Brasil estima que cada real investido em saneamento no RS pode gerar retorno de R$ 4,80. Até 2033, a ampliação do serviço pode representar uma economia de R$ 921 milhões em gastos com saúde no Estado.

Quilombo Kédi resiste à pressão imobiliária enquanto aguarda titulação

Restam apenas 12 famílias no Quilombo Kédi, em Porto Alegre. Em reportagem de Bettina Gehm, do Sul21, moradores relatam pressão para deixar o território em troca de indenizações de R$ 180 mil, mediante acordos com a Prefeitura que, na prática, implicam abrir mão da identidade quilombola. A comunidade aguarda a conclusão do processo de titulação pelo Incra, iniciado em 2021.

Nos últimos meses, o número de acordos firmados para saída de moradores saltou de 45 para 106, e a maior parte das casas já foi demolida. Segundo lideranças quilombolas, a descaracterização do território dificulta os levantamentos necessários para a regularização fundiária e agrava as condições de vida das famílias que permanecem no local. A área é cercada por empreendimentos imobiliários em expansão.

A reportagem também registra denúncias de intimidação contra moradores e destaca que o Ministério Público Federal e a Frente Quilombola do RS pedem a responsabilização não apenas da Prefeitura, mas também das empresas interessadas no terreno. Enquanto isso, o Incra afirma que o processo de titulação continuará enquanto integrantes da comunidade permanecerem no local manifestando interesse na regularização.


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Lagartear comendo berga: um hábito que faz bem à saúde

Tomar sol e descascar uma bergamota são hábitos frequentemente associados aos dias frios e ensolarados do Sul. Segundo especialistas, a combinação também pode trazer benefícios à saúde: enquanto a exposição solar estimula a produção de vitamina D pelo organismo, a fruta fornece vitamina C, fibras e compostos antioxidantes.

De acordo com a nutricionista Kyzzy Rodrigues, os dois elementos contribuem para o fortalecimento do sistema imunológico e podem favorecer a sensação de bem-estar. Além disso, a bergamota auxilia o funcionamento do intestino e pode servir como fonte de energia antes da prática de atividades físicas.

OUTRAS NOTÍCIAS
O governo do Estado anunciou uma jornada de formação para extensionistas da Emater/RS-Ascar voltada ao acolhimento e encaminhamento de casos de violência contra mulheres no meio rural. A iniciativa pretende fortalecer a identificação precoce de situações de risco e a articulação com os serviços de proteção em áreas rurais.
Porto Alegre está entre as cidades que participam de um projeto-piloto do SUS para atendimento de pacientes com obesidade por meio de medicamentos como as chamadas canetas emagrecedoras. A iniciativa busca avaliar a incorporação da tecnologia ao sistema público de saúde.
O banco de sangue do Hospital de Pronto Socorro enfrenta redução nos estoques dos tipos O positivo e O negativo. As doações podem ser agendadas pelo WhatsApp (51) 3289-9640, de segunda a sexta-feira.
O IPCA-15, índice considerado uma prévia da inflação, registrou em Porto Alegre a terceira maior variação do país em junho, conforme dados divulgados pelo IBGE. A capital gaúcha ficou atrás apenas de Brasília e Recife.
O Cremers, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual pediram medidas para acompanhar a transição da gestão de 67 unidades básicas de saúde de Porto Alegre. Há duas semanas, a Matinal mostrou que a nova gestora das unidades propôs reduções salariais de até 60% para profissionais da saúde, o que motivou denúncias ao MP e ao MPT.

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Copa do (I) Mundo

por Márcio Chadas e Thiana Orth

Antes mesmo do apito inicial da Copa do Mundo de 2026, já foi possível perceber (sem ajuda do VAR) como o jogo iria se desenhar. Nem foi preciso esperar a bola rolar, pois, logo no aquecimento, que ocorreu longe dos estádios – nos aeroportos e postos de imigração –, os primeiros cartões já começaram a ser distribuídos. Não por faltas cometidas, mas sim para certas pessoas, nacionalidades, cores de pele e passaportes considerados suspeitos.

Leia o texto completo →

O ópio do povo não é o futebol

Acontece que essa força também está sendo usada para estimular o público a apostar, com comentários inclusive dos jornalistas, que chegam a citar as apostas com mais ou menos chances de ganhar. Único canal com os direitos de transmitir todos os jogos da Copa, a Cazé é patrocinada por mais de uma bet e acaba de entrar na mira da Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O órgão investiga se estão sendo cumpridas normas como a divulgação de informações claras sobre os riscos envolvidos nas apostas.

Leia a coluna completa.


CULTURA

O Cavaleiro da Távola Quadrada

Foto: HBO Max

“O Cavaleiro dos Sete Reinos acerta por não insistir no erro – um bom começo, mas não garantia de sucesso. Ele começa cem anos antes de Game of Trones, nos mesmos reinos, e sem dragões – o que melhora e muito a história. Como dizia Jorge Luis Borges, não é bom que coisas comecem a voar no meio do livro ou filme”, comenta o escritor Marcelo Carneiro da Cunha, a respeito da série da HBO Max. Leia a resenha aqui.


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