Exibido na competição oficial do Festival de Cannes, o filme Caso 137 (2025) inspira-se em um episódio verídico para colocar em xeque uma policial e a instituição que ao mesmo tempo representa e investiga. Nesse thriller social, uma oficial da corregedoria policial defronta-se com dilemas profissionais, pessoais e éticos ao ser designada para um caso envolvendo um jovem gravemente ferido durante uma manifestação tensa e caótica em Paris.
Sucesso de público na França, o longa escrito e dirigido por Dominik Moll acompanha Stéphanie (Léa Drucker) e sua equipe na investigação a respeito da suposta agressão policial a um dos participantes das manifestações do movimento dos chamados "coletes amarelos", que sacudiram o país a partir de outubro de 2018. A princípio, os investigadores não conseguem identificar os agressores ⎯ mas a descoberta de uma testemunha acidental do evento indica que os responsáveis pela retaliação violenta faziam parte da polícia.
Pressionada tanto por colegas de corporação, que consideram esse tipo de investigação interna uma espécie de traição, quanto por familiares e simpatizantes dos manifestantes, céticos em relação à punição dos abusos policiais, Stéphanie acaba vendo o caso tomar um rumo pessoal quando descobre que a vítima é de sua cidade natal.

"Primeiramente, trata-se de uma investigação cativante, muito precisa e técnica, que se transforma em uma obsessão para a policial. Mas o que realmente me impressionou foi a jornada de Stéphanie, sua personagem. Achei a personagem muito comovente. Em uma situação de crise onde a violência dos relacionamentos parece destruir tudo, ela exala muita humanidade. E também inquietação", explica Léa Drucker, que recebeu pelo papel seu segundo prêmio César de melhor atriz ⎯ o primeiro foi por seu trabalho no ótimo drama Custódia (2017), de Xavier Legrand.
Realizador de origem alemã, Dominik Moll diz que sempre teve interesse em saber mais a respeito do trabalho da IGPN, a divisão de assuntos internos da polícia francesa: "Por serem policiais investigando outros policiais, esses homens e mulheres se encontram em uma posição desconfortável. São vistos de forma negativa, frequentemente desprezados e às vezes odiados por seus colegas, enquanto são criticados simultaneamente por certos veículos de comunicação que os acusam de serem juízes e júri".
Depois do êxito da comédia sombria Harry Chegou para Ajudar (2000), também exibida competição em Cannes em 2000, Moll dirigiu títulos como Más Notícias para o Sr. Mars (2016) e A Noite do Dia 12 (2022) ⎯ excelente drama de investigação policial ganhador de sete troféus César.
"A Noite do Dia 12" assombra um policial francês
Sobre Caso 137 ⎯ cujo roteiro divide com Gilles Marchand, seu parceiro habitual ⎯, Moll questiona: "Como alguém lida com o fato de estar no meio de um fogo cruzado? E com a necessidade de investigar colegas que não fazem segredo de sua animosidade?".

Caso 137: * * * *
COTAÇÕES
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