Considerado um dos 10 melhores filmes do ano pela revista Cahiers du Cinéma e premiado no Festival de Cannes do ano passado, O Riso e a Faca (2025) é um surpreendente épico contemporâneo. O longa com mais de três horas e meia de duração acompanha um engenheiro português que chega para trabalhar em uma ONG em Guiné-Bissau e é envolvido pelas dinâmicas neocoloniais da comunidade que mistura nativos e estrangeiros enquanto busca a própria identidade existencial e sentimental.
Escrito e dirigido pelo português Pedro Pinho, O Riso e a Faca recebeu recentemente o Prêmio de Melhor Contribuição Artística na competição ibero-americana do Festival Internacional de Cinema de Cartagena, na Colômbia. Inspirada na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé, essa coprodução entre Portugal, França, Romênia e Brasil foi rodada no deserto da Mauritânia e principalmente na Guiné-Bissau.
Na trama, o engenheiro Sérgio (Sérgio Coragem) é enviado ao país da África Ocidental fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores da capital Bissau, a guineense Diára (Cleo Diára) e o brasileiro Guilherme (Jonathan Guilherme). Entre o acolhimento e o estranhamento, a exploração e a resistência, o desejo e a rejeição, o protagonista tateia em terra estrangeira um novo caminho para sua vida.

O filme examina o neocolonialismo a partir da desconstrução de papéis, evitando mostrar a África sob um olhar inocente e paternalista e expondo algumas das contradições do continente e as múltiplas culturas e comunidades que o habitam. O realizador Pedro Pinho argumenta que O Riso e a Faca parte “da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos ‘outros’ e mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas ⎯ todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial”.
O trio central de intérpretes de O Riso e a Faca anima com talento a ciranda afetiva e sensual entre os três personagens ⎯ como destaque para a luminosa e magnética atuação da cabo-verdiana Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes.
Segundo o diretor, no coração de seu filme "está o eterno ‘encontro’ entre a Europa e a África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental”.

O Riso e a Faca: * * * * *
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