Porto Alegre recebeu na noite desta terça-feira (14/4) o lançamento nacional do circuito Palco Giratório, projeto do Sesc que levará 16 grupos de teatro, dança e circo a 113 cidades brasileiras ao longo de 2026. Pela primeira vez, a capital gaúcha marcou o início do circuito ⎯ em uma edição que propõe um olhar voltado à experiência cultural em família, reunindo diferentes gerações em torno das artes cênicas. Na ocasião, também foi apresentada a programação do 20º Festival Palco Giratório Sesc em Porto Alegre, que ocorre entre 19 de maio e 3 de junho, consolidando duas décadas de atuação no Estado.
A noite de lançamento contou com a presença de artistas, gestores culturais e público em geral, dando início à mostra de abertura do circuito na cidade. O primeiro espetáculo apresentado foi Frankinh@ – Uma História em Pedacinhos, do Coletivo Gompa, que abriu a programação no Teatro Simões Lopes Neto.
Inspirada livremente na obra de Mary Shelley, a peça dirigida por Camila Bauer ⎯ vencedora do 36º Prêmio Shell de Melhor Direção pelo espetáculo adulto Instinto ⎯ articula teatro, dança e artes visuais para abordar temas como crescimento, solidão e aceitação, em uma linguagem acessível a diferentes idades.
Com uma programação gratuita, a mostra segue até o dia 17 de abril, reunindo espetáculos de diferentes regiões do país, intervenções urbanas, exibição audiovisual e atividades formativas. Entre os destaques estão a première do documentário Amir e Tizumba, Tizumba e Amir, que aproxima as trajetórias de dois importantes nomes da cultura brasileira ligados ao teatro de rua e às manifestações populares, na Cinemateca Capitólio, com a presença dos protagonistas, e o espetáculo de dança Encruzilhada, no Teatro Renascença, que propõe uma investigação sobre identidade e resistência.


Os ingressos para as sessões que compõem a mostra podem ser retirados gratuitamente neste site. No campo formativo, a primeira etapa do 7º Seminário Palco Giratório, nos dias 15 e 16, conta com a participação de nomes como Leda Maria Martins, Paloma Carpio e Francis Wilker, em encontros que conectam prática artística e reflexão crítica. As inscrições para o seminário são gratuitas e estão disponíveis neste site.
A programação apresentada ao público, que pode ser conferida neste site, também antecipou o que será visto no 20º Festival Palco Giratório Sesc em Porto Alegre, que contará com 62 sessões de espetáculos, distribuídas em 17 espaços culturais da cidade. Unindo os espetáculos do Circuito Nacional com a forte presença de produções gaúchas, o festival reafirma sua vocação de intercâmbio cultural.

Entre os destaques do Festival está a leitura cênica 70!, apresentada pelo ator Cacá Carvalho nos dias 23 e 24 de maio, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra. A montagem parte de um texto inspirado na obra de Edyr Augusto Proença para construir uma reflexão sobre o envelhecimento, conduzida a partir de uma narrativa íntima, em que memória, tempo e experiência se entrelaçam em cena. Com uma trajetória que atravessa teatro, cinema e televisão, o ator estabelece uma relação direta com o público, explorando nuances do corpo e da palavra como dispositivos de presença.

Outro nome de destaque é Eduardo Moscovis, vencedor do 36º Prêmio Shell na categoria de Melhor Ator, que protagoniza O Motociclista no Globo da Morte, em cartaz nos dias 26 e 27 de maio, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto. A obra acompanha a trajetória de um homem comum atravessado por um episódio de violência, conduzindo o espectador por uma narrativa que tensiona limites entre responsabilidade individual e contexto social, ao mesmo tempo em que investiga a construção de masculinidades e as dinâmicas de poder presentes no cotidiano.

A música integra a programação como uma extensão das artes cênicas, ampliando a experiência do público por meio de apresentações que articulam performance, presença e escuta. No dia 19 de maio, às 20h, o espetáculo O Baile da Mana Flor Convida Fernanda Copatti reúne o Trio Mana Flor e a cantora Fernanda Copatti em uma apresentação que combina forró, performance e música brasileira. Reconhecido como o primeiro grupo feminino do gênero no país, o Trio Mana Flor constrói uma proposta que articula tradição e contemporaneidade, revisitando repertórios e criando um ambiente de participação coletiva.


Já Marcelo Jeneci se apresenta no dia 30 de maio, às 20h, em um espetáculo que valoriza a proximidade com o público e a construção de uma atmosfera sensível. O repertório percorre diferentes momentos de sua trajetória, combinando canções conhecidas a novos arranjos e composições inéditas. Sua performance evidencia uma pesquisa sonora que transita entre a canção popular, a música eletrônica e o lirismo cotidiano, criando uma experiência que privilegia a escuta e a conexão direta com a plateia.


“A programação desta edição foi construída a partir da ideia de diversidade como experiência compartilhada. Buscamos reunir espetáculos que dialoguem com diferentes linguagens e temas contemporâneos, mas que, ao mesmo tempo, possam ser fruídos por públicos de diferentes idades e repertórios, muitas vezes no mesmo espaço. Há um olhar atento para trabalhos que abordam questões do nosso tempo, como relações sociais, identidade, envelhecimento e modos de existir. Também destacamos a presença do teatro de animação, das formas populares e de criações que transitam entre o teatro, a dança e a música”, comenta Jane Schoninger, coordenadora de Artes Cênicas, Visuais e de Arte Educação do Sesc/RS e curadora do Circuito Nacional do Palco Giratório.
