Destaque no cenário da música autoral independente brasileira, Silvia Machete volta a Porto Alegre nesta sexta-feira (7/8). A cantora e compositora carioca apresenta o show Under The Cover no Espaço 373 (Rua Comendador Coruja, 373) a partir das 21h, acompanhada pelo pianista Marcos Romera.
No palco, a performática artista revisita canções de sua trajetória e músicas que fazem parte de seu universo afetivo e artístico. O repertório inclui versões de composições de compositores como Carole King, Stevie Wonder, Roy Orbison, Patti Smith e Steve Kuhn, standards do jazz e clássicos da música brasileira, além de releituras de canções presentes em seus aclamados álbuns Rhonda (2020) e Invisible Woman (2024).

O espetáculo também dialoga com a personagem Rhonda, criação que marcou uma nova fase na carreira da artista e consolidou sua reputação junto à crítica e ao público. Recentemente, o disco Invisible Woman recebeu o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira na categoria "Lançamento em Língua Estrangeira" e teve faixas concorrendo ao Grammy Internacional.
"Como o disco foi lançado por um selo japonês, tive a oportunidade de chegar a mais ouvidos fora do país, mas a minha carreira está muito mais no Brasil. O disco não foi criado para fazer sucesso fora, e também não sou eu quem escolhe isso. É um trabalho muito pessoal, e escrever em inglês foi apenas uma forma de me expressar, já que o idioma é a minha segunda língua", explicou Machete a respeito de sua projeção internacional em entrevista exclusiva.

Segundo a intérprete, a relação com a língua inglesa é natural: "Fui alfabetizada nos Estados Unidos e morei em diversos momentos da vida em Nova York. Mas compor é bem mais poético para mim em português. Não à toa, tenho quatro álbuns com brasilidades. Fico mais à vontade, e isso me faz ser bem mais crítica comigo mesma. Comecei a compor em inglês quando fui morar em São Paulo. Me senti em outro país. Trabalho com ficção, então usei esse recurso da língua para criar uma outra atmosfera para o meu trabalho. Mas, para ser sincera, a música mais internacional é a brasileira".
A artista é conhecida pela originalidade, humor refinado e presença cênica singular. "A performance, para mim, é muito importante. Qualquer pessoa que está no palco deveria se importar com isso", acredita a cantora.

De acordo com Machete, a trilogia de álbuns em torno da personagem Rhonda será finalizada no segundo semestre de 2027 com o lançamento de Bad Jazz, terceiro e último álbum da trilogia, será lançado no segundo semestre de 2027. "Toda música criada nos anos 1960 e 1970 me atrai muito. A sonoridade é especial, a forma de gravar, muitas vezes ao vivo, faz toda a diferença. As texturas colorem os ambientes, e há uma dose de verdade musical nos discos feitos nessa época. São uma inspiração para mim", diz a cantora a respeito da influência em seu trabalho da sonoridade do pop estadunidense que mistura soul, jazz, r&b, funk e folk.
Silvia Machete diz que tem escutado bastante artistas como a australiana Molly Lewis, a inglesa Lola Young e a mineira Jennifer Souza, e promete: "Com certeza vou lançar projetos em português no futuro".
