O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) recomendou a liberdade provisória das vítimas de golpe indiciadas pela Polícia Civil em decorrência da operação Truck Hunters. No texto, o promotor Tiago Moreira da Silva aponta que os elementos probatórios coletados nos autos, em relação aos indiciados Mariles da Silva e João Batista Fernandes “não são suficientes, por ora, a demonstrar seu envolvimento com o grupo criminoso indiciado”. A manifestação foi encaminhada ao final da tarde desta quarta-feira (26).
Em 11 de setembro, João Batista Fernandes, 67 anos, e Mariles da Silva, 38, foram presos na operação Truck Hunters do Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil. A operação investigava uma organização criminosa que usava galpões alugados para desmontar caminhões furtados, extorquir os motoristas e revender as peças.
Os próprios documentos da investigação indicaram que o grupo criminoso usou uma imagem da CNH vencida de Fernandes e uma conta de luz em nome de Silva para alugar galpões. A conta de luz, usada como comprovante de residência, não levava a assinatura da mulher. Em 30 de outubro, o delegado André Serrão indicou o indiciamento dos dois junto de outras 26 pessoas.
Ambos permaneceram 67 dias detidos até a liberação para o regime de prisão domiciliar, em 17 de novembro. Na prisão, Fernandes perdeu 10 quilos e Silva não presenciou o aniversário da filha de 11 anos.
Além de Silva e Fernandes, o MP-RS também recomendou a soltura de Volnei dos Santos, de 57 anos, preso há 77 dias e atualmente na Cadeia Pública de Porto Alegre. De acordo com a Polícia, ele teve relação com o caso a partir de áudios coletados pela investigação, que o apontou como um dos receptadores da organização criminosa e compraria peças desmanchadas dos caminhões.
A decisão sobre a soltura cabe ao colegiado de juízes da 2ª Vara Estadual de Processos e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro. Questionado pela Matinal sobre o prazo para a decisão, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) ainda não se manifestou.
Nesta quarta-feira (26), a prisão do grupo foi assunto na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS).
Os advogados dos suspeitos afirmaram que ficaram 18 dias sem acesso ao processo. A CCDH pretende encaminhar solicitação à Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS) sobre as operações.