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Bolsonaro preso por precaução

Ex-presidente recebeu a visita da Polícia Federal que mais temia

Bolsonaro preso por precaução
Manifestação em frente à sede da Polícia Federal após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O dia chegou: 22 de novembro de 2025. Jair Bolsonaro foi preso. Saiu da prisão domiciliar para uma sala na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O ministro Alexandre do Moraes, do STF, justificou a medida em função de quebra do sinal da tornozeleira e possível tentativa de fuga. Bolsonaristas já mostraram que não hesitam em fugir. Carla Zambelli se mandou para a Itália, onde foi presa.

Eduardo Bolsonaro escapou para os Estados Unidos. Não ousa voltar. Alexandre Ramagem também deu no pé. O medo fala mais alto do que razão, honra, responsabilidades e respeito pela justiça brasileira. O humano fala mais forte do que outras considerações.

Prisão preventiva é prisão por precaução. A PF não queria pagar o mico de ver um tubarão escapar por entre os buracos da rede.

Tantas fez Bolsonaro que foi para a cadeia. Na vida, apesar de aprontar muito, ele sempre havia se safado por ser histriônico, aloucado, excêntrico, folclórico, incontrolável, maluco, útil.

Até que tomou gosto pelo poder e não quis largá-lo. Para ficar num lugar que não lhe pertencia mais, mentiu, distorceu e enrolou.

Não convenceu seus juízes. Mentiu sobre urnas eletrônicas, distorceu fatos sobre a covid, enrolou sempre que foi questionado.

Por incrível que pareça, Bolsonaro se acha esperto, malandro, sabido, capaz de dar nó em pingo de água, escorregadio, safo. Tentou o golpe de Estado com uma mão para depois se afastar dele com os dois pés.

Assim fez sua vida pública, misturando-a com a privada, com mil desculpas pelo duplo sentido involuntário, buscando vantagem em tudo.

A sua filosofia sempre foi clara e positiva como um comando: se dar bem. Agora, vai almoçar e jantar novamente por conta do contribuinte, mas sem regalias palacianas. Pelo jeito, não apreciará o cardápio nem o serviço da casa. Não se pode ter tudo todo o tempo.

É claro que Bolsonaro queria dar no pé. Ele morre de medo da prisão. Além disso, adoraria se ver exilado nos Estados Unidos como líder da oposição a um pretenso regime ditatorial de esquerda. Se soubesse ler, aprenderia muito com grandes livros latino-americanos.

Mario Vargas Llosa não inventaria personagem melhor para um romance sobre uma republiqueta bananeira. Bolsonaro nasceu pronto para o papel do patriota lacaio de uma potência estrangeira. Talvez Donald Trump o expulsasse depois de algum tempo para se livrar de uma mala.

Já dá para aquela musiquinha de final de ano: um novo tempo...

O tempo dos golpes abortados, julgados, punidos. Tempo de militar golpista na cadeia, de presidente com pendor para ditador sacado do jogo, tempo de juízes que não fazem acordos com criminosos.

Jair Bolsonaro não vale uma lágrima. Nem mesmo um suspiro. Mesmo assim, muitos incautos continuarão a acreditar piamente que o grande líder está sendo injustiçado e perseguido. Os doutrinados do WhatsApp vão insistir em suas notícias falsas e nos seus alarmismos doentios.

A democracia brasileira sai vitoriosa. Triste, porém, é pensar que esteve sob ameaça em pleno século XXI. Que seja um último ato.

As opiniões emitidas por colunistas não expressam necessariamente a posição editorial da Matinal.
Juremir Machado da Silva

Juremir Machado da Silva

Jornalista, escritor e professor de Comunicação Social na PUCRS, publica semanalmente a Newsletter do Juremir, exclusiva para assinantes dos planos Completo e Comunidade. Contato: juremir@matinal.org

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