Esquerda e direita sempre têm seus ditadores de estimação. A esquerda passava pano para Nicolás Maduro. A direita senta à mesa com os tiranos da Arábia Saudita. Pai e filho controlam uma teocracia que assassina seus adversários onde estejam. Maduro governava como ditador, tomava decisões de ditador, comportava-se como ditador, mas parte da esquerda mundial garante que chamá-lo de ditador era maldade da mídia corporativa aliada dos Estados Unidos. Em 2017, Maduro criou um parlamento paralelo para chamar de seu, pois o eleito era controlado pela oposição ao seu governo bolivariano.
Ao longo do seu reinado, Maduro encheu as prisões do regime de adversários políticos. Mesmo método usado por Vladimir Putin na Rússia. Prisão e tortura sempre que lhe pareceu necessário. A própria ONU o acusou de práticas ditatoriais. Por fim, Maduro fraudava eleições. A sua última vitória de ficção não foi reconhecida nem pelo Brasil. Ele não se deu o trabalho de detalhar os resultados e mostrar as chamadas “atas” de votação. Levou na mão grande. Com ajuda da China e da Rússia, ficou no poder.
O regime de Maduro era ardiloso. Mantinha uma fachada de democracia para europeu ver, com alguns veículos de comunicação críticos ao madurismo e partidos de oposição. Na hora do pega para votar, os principais oponentes acabavam cancelados. Prevendo o futuro, teria mandado mais de US$ 5 bilhões para a Suíça. Maduro não vale um dólar furado. A elite venezuelana, porém, é tão podre que, até entre os mais pobres, haverá quem chore por ele.
Já Donald Trump mostrou que não passa de um pirata. Mandou sequestrar Maduro em Caracas, negociou com a vice do sequestrado e obteve 30 milhões de barris de petróleo para não atacar de novo a Venezuela, que já se tornou um protetorado dos Estados Unidos, a República Bolivariana dos Estados Unidos da América Venezuelana. Socialismo pós-Maduro com gestão externa de Donald Trump. Por enquanto, o monstrengo não pariu sequer um rato: prisioneiros políticos continuam na cadeia, jornalistas são detidos, a repressão continua, opositores não podem retornar ao país e vida que segue.
Quando haverá eleições na Venezuela? Quando Donald Trump quiser. Pode isso, António Guterres, secretário-geral da ONU? Como ficam categorias pomposas do tipo soberania nacional e autodeterminação dos povos? Ficam onde sempre estiveram: nas páginas de ficção de um suposto direito internacional agora defunto. O Brasil que se cuide, pois poderá perder a Amazônia sob alegação de que tal patrimônio mundial não pode ficar nas mãos de um país que não consegue protegê-lo. Chama a atenção, nisso tudo, a covardia da Europa, que se limita a lançar notas mornas sem subir o tom.
O pirata levou a melhor e já se prepara para outras abordagens. Cada saque o credencia para novas aventuras. Não vê quem o possa detê-lo no seu hemisfério. O grande lance, aquele que o desafia, é retomar Cuba, o que também é o grande sonho do seu braço direito, o secretário Marco Rubio. Donald, o pirata, certamente já tem a sua frase de efeito na ponta da língua para uma coletiva depois do ataque: Cuba vale duas Venezuela!