A resposta a essa singela pergunta é: tudo. Nada mais do que isso.
Quer a Venezuela, a Groenlândia, o Canadá, o México. Quer petróleo, terras raras, mercados para os produtos norte-americanos, súditos.
O patrão dos Estados Unidos parece saturado de dissimulações diplomáticas. Quer chutar o balde, tomar conta do seu quintal, chamar a América Latina de seu campinho de golfe, dar nome aos bois, chutar de bico, bater de frente, dizer na lata o que pensa disso e daquilo, comandar.
Os Estados Unidos montaram a invasão da Venezuela para sequestrar Nicolás Maduro como uma operação policial para capturar um traficante de drogas. Feito o serviço, Trump entregou tudo: confessou que o mais relevante era o petróleo da Venezuela e que o país invadido passaria a ser administrado pelo invasor. De lá para, o secretário de Estado, Marco Rubio, que não se destaca pela sutileza, tem tentado corrigir um pouco o rumo.
Trump é o que jornalistas chamam de “bom de entrevista”: rende. Ninguém sai de mãos vazias. O presidente dos Estados Unidos não resiste à tentação de se vangloriar, de dizer quem manda, de humilhar os derrotados.
Para satisfazer esse prazer muito pessoal, conta tudo. Ou quase. A coletiva de imprensa posterior ao sequestro de Maduro entra para os anais das entrevistas mais surpreendentes de um presidente dos Estados Unidos.
Ou mesmo de qualquer chefe de Estado.
Envolvido numa aura de soberba, Trump anunciou que empresas dos Estados Unidos passarão a controlar o petróleo da Venezuela. Como? Com que direito? Para diminuir a sensação de roubo puro e simples, destacou que Hugo Chávez nacionalizara ativos de petroleiras norte-americanas sem dar qualquer indenização. Seria, portanto, um ressarcimento forçado.
Ainda mais chocante foi o anúncio de que os Estados Unidos só realizarão eleições na Venezuela quando as condições forem adequadas.
Desde quando os Estados Unidos podem dizer quando haverá eleições num país soberano? Então os Estados Unidos funcionam como comissão eleitoral?
As condições “criteriosas” para a realização de eleições na Venezuela são simples: basta que um candidato pró-Estados Unidos possa ganhar.
Outra declaração impressionante de Donald Trump, no dia seguinte à tomada de Caracas, foi esta: “Precisamos que nos deem acesso ao petróleo”.
Ah, “ao petróleo e outras coisas”.
Nada disso, porém, segundo Trump, tem a ver com guerra. A entrada num país soberano, o sequestro do presidente, a morte de 80 pessoas, o bombardeio de bases das forças armadas locais, nada disso é guerra.
É o que mesmo? Uma ação pontual.
Para o jornal francês Le Monde, Donald Trump está fazendo “main basse” no petróleo venezuelano, o que em português cristalino, o praticado nas ruas, significa tomando o petróleo da Venezuela na mão grande.
Curioso é que tem patriota brasileiro querendo que a gestão do Brasil seja entregue para Donald Trump. Se o país não “der acesso” às suas “terras raras”, não é improvável que ele nos imponha os seus serviços.
Trump é movido pela vontade de poder. Sem disfarces.