O filme é inevitável. Quantos Oscar ganhará? Quem interpretará Nicolás Maduro? A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e o sequestro de Maduro, neste começo de ano, deixaram o mundo perplexo e assustado.
O editorial do prestigioso jornal francês Le Monde foi preciso: “O retorno do imperialismo predador dos Estados Unidos”. O editorial do ainda mais prestigioso New York Times foi direto ao ponto em relação aos ataques do Sr. Trump à Venezuela, “eles violam o direito internacional”.
Ainda: “Uma explicação mais plausível para os ataques à Venezuela pode ser encontrada na Estratégia de Segurança Nacional recentemente divulgada pelo Sr. Trump. Nela, o governo reivindica o direito de dominar a América Latina”.
Nenhum desses dois jornais fez qualquer elogio a Maduro, tratado de ditador, assim como não defendem a invasão da Ucrânia pelo autocrata Vladimir Putin, o que não pode dizer a esquerda latino-americana.
Especialistas do mundo inteiro tendem a concordar: o caminho tomado por Trump viola o direito internacional e pisoteia a soberania nacional.
O mais espantoso foi a primeira fala de Trump após a captura de Maduro sob a pífia cobertura de uma operação policial para prender um narcotraficante e apresentá-lo à justiça dos Estados Unidos. O presidente norte-americano invocou a atualização da “Doutrina Monroe”, de 1823, que reserva a América para os americanos dos Estados Unidos e deixou bem claro que administrará o país invadido pelo tempo que achar necessário, assim como entregará o controle do petróleo venezuelano a empresas dos Estados Unidos sob alegação de que a infraestrutura petrolífera da Venezuela foi construída por essas empresas e roubada por ditaduras venezuelanas.
Ficou claro para o mundo e especialmente para a América Latina que Trump invadirá qualquer país com riquezas de interesse dos Estados Unidos se elas não ficarem disponíveis para exploração em parceira com os EUA.
O Brasil, com suas “terras raras”, que se cuide. O presidente da Colômbia, o que mais esbravejou até agora contra a invasão da Venezuela e que tem contra si o fato de que muita cocaína colombiana vai para os Estados Unidos, recebeu um aviso cristalino para cuidar do seu traseiro.
Bolsonaristas vibraram com a possibilidade de que um dia Donald Trump mande invadir o Brasil para capturar Lula e dar o poder a Bolsonaro.
A geopolítica, a mais cínica das visões de mundo, divide o planeta em três grandes áreas de influência: chinesa, russa e norte-americana.
Vladimir Putin tomou a Ucrânia na mão grande com medo de que ela escape da sua área de influência. Trump apossou-se da Venezuela. Falta Xi Jinping invadir Taiwan. Fica definido que elegantes convenções como a de soberania nacional não valem mais. Manda a força e estamos conversados.
Países como o Brasil, que não têm poderio militar para defender a integridade do seu território, existem por assentimento internacional.
Não há mais dúvida de que talvez um dia os Estados Unidos possam tomar a Amazônia. O medo de uma guerra mundial é o que impede certas ações. Ou, para quem tem bomba atômica, a dissuasão. A Nova Ordem Mundial dá totais direitos a cada dono de região a fazer o que bem entender.
Para a América Latina passa a valer a Doutrina Donroe, ou seja, a Doutrina Monroe revista por Donald Trump. É o regime do mais forte.