Confira todos os textos da edição #315
Saudades do Cais Mauá aberto à cidade, por Tiago Medina
Histórias de Autógrafos: Tom Wolfe em “Um Homem Por Inteiro”, por Carlos Gerbase
Thiago Lacerda, medida por medida, por Juremir Machado da Silva
Centenária: Maria, vó minha - Capítulo 11, por Tiago Maria
Mãe, a mais inesquecível dentre os tipos, por Fernando Seffner
Caio, a carroça e a facilidade em destruir, por Gilberto Perin
Amanda Costa: "Caio antecipou muito do que tem sido feito na literatura recente", por Luís Augusto Fischer
Porto Alegre, 1902-06: Máscaras e carrancas nos prédios da capital, por Arnoldo Doberstein
Projeto Gema – Dez anos: Ato II, por Lucas Luz
A medida das coisas humanas: Capítulo V, por Helena Terra
A informação já circulava. A casa onde o escritor Caio Fernando Abreu morou com a família ia ser demolida.
Em 18 de julho de 2022, pensei em fotografar a morada, antes que viesse abaixo. Eu morava no Menino Deus, pertinho da rua Oscar Bittencourt, onde ficava a residência.
Em um belo dia azul de inverno, cheguei ao número 12 da rua e estavam começando a sessão de destruição de uma bela parte da memória da “carroça”, que era como Caio chamava Porto Alegre. Telhas, vigas, janelas, vidros, portas, tudo se desalinhou em pouco tempo. Como é fácil demolir, né, em todos os sentidos.
Eu fotografava através da grade do jardim, sem permissão de entrar. Aí apareceu uma vizinha com uma câmera que pediu para entrar. O homem permitiu que ficássemos lá menos de um minuto e andássemos por apenas um ou dois metros no jardim porque, claro, podia cair alguma coisa sobre a gente. Fiz algumas fotos e tivemos que voltar para a calçada.
Uns vinte minutos depois estacionou um carro e desceu um homem tipo “sou o chefe dessa obra” e perguntou, incisivamente, o que eu estava fazendo e para quem eu estava fotografando. Fiz o “rostinho de vizinho bonzinho” e disse que estava fazendo para mim mesmo, porque eu sempre achei a casa linda e morava aí ao lado.