Confira todos os textos da edição #325
- A cidade inventada por suas canções, por Alex de Cássio
- Complexo de Ismene, por Paulo Damin
- Os 400 anos das Missões Jesuíticas: o Rio Grande Guarani, por Artur Barcelos
- O rock gaúcho - Parte VII, por Arthur de Faria
- Milton Santos, geógrafo pensador do Terceiro Mundo, por Breno Pedrosa e Paulo Soares
- Minha mãe é professora... De português, por Bruno Negrão
- Mateando em Paris, por Juremir Machado da Silva
- Entre o mundo e eu – Capítulo V, por Marlon Pires Ramos
- O velho Beco do Rosário como leitura para vestibulandos na USP – Entrevista com Ana Luiza Koehler, por Luís Augusto Fischer
- Porto Alegre, 1912 – Miguel Weingartner, de cartunista a conselheiro municipal pelo PRR, por Arnoldo Doberstein
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 4, por Gonçalo Ferraz
Em 1626, um missionário jesuíta chamado Roque Gonzáles de Santa Cruz cruzou o rio Uruguai de oeste para leste, entrando em uma região que os indígenas Guarani denominavam Tape. Já haviam se passado 16 anos desde que seus companheiros haviam ingressado no Guairá, hoje oeste do Paraná, com o objetivo de evangelizar os Guarani. Iniciava-se ali um processo de contato, encontro, confronto, conflito e negociação entre jesuítas e os Guarani que duraria mais de 150 anos.
O resultado desse processo foram as célebres “Missões Jesuíticas”. Célebres, entre outras razões, porque se tornaram um ponto de discórdia na historiografia gaúcha nas décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970. Alguns autores consideravam que a história do Rio Grande do Sul teria início com a fundação de Rio Grande, em 1737, em conexão com a Colônia do Sacramento, hoje em território uruguaio, fundada em 1680. Nessa perspectiva, as Missões, iniciadas em 1626 por iniciativa dos jesuítas a serviço da Espanha, não fariam parte da história gaúcha. Outros autores, por sua vez, interpretavam que o Rio Grande do Sul possuía uma relação social e histórica direta com as Missões.