Confira todos os textos da edição #325
- A cidade inventada por suas canções, por Alex de Cássio
- Complexo de Ismene, por Paulo Damin
- Os 400 anos das Missões Jesuíticas: o Rio Grande Guarani, por Artur Barcelos
- O rock gaúcho - Parte VII, por Arthur de Faria
- Milton Santos, geógrafo pensador do Terceiro Mundo, por Breno Pedrosa e Paulo Soares
- Minha mãe é professora... De português, por Bruno Negrão
- Mateando em Paris, por Juremir Machado da Silva
- Entre o mundo e eu – Capítulo V, por Marlon Pires Ramos
- O velho Beco do Rosário como leitura para vestibulandos na USP – Entrevista com Ana Luiza Koehler, por Luís Augusto Fischer
- Porto Alegre, 1912 – Miguel Weingartner, de cartunista a conselheiro municipal pelo PRR, por Arnoldo Doberstein
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 4, por Gonçalo Ferraz
Becos da Memória
Acordei. Espremia meu rosto com a claridade do dia. Notei a voz do Stevie Wonder vibrando no ambiente. A música vinha da cozinha. Procurei minhas roupas, demorei para achar, uma lingerie vermelha ao lado da cama. Sorri. O café tá pronto, gritou da cozinha, o cheirinho de café passado na hora me fisgou.
Assim como a Terra sabe estar girando em torno do Sol
E os botões de rosa sabem florescer no início de maio
Assim como o ódio sabe que o amor é a cura
eu te amarei para sempre
Tu gosta de Stevie Wonder? Não sabia disso.
Ora, claro que sim. O que tu achou? Que eu só escuto Lady Gaga?
Rimos.
O dia começava leve, bonito, tranquilo. O sol brilhava na janela da cozinha, o brilho reverberando na nossa pele preta, nossa pele rebatia o brilho um para o outro.