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Mediocridade brasileira na estreia

Seleção jogou muito pouco contra o Marrocos

Mediocridade brasileira na estreia

E o Brasil entrou em campo para enfrentar o Marrocos pela Copa do Mundo de 2026. Entrou, mas jogou muito pouco. Quase nada. Vinicius Júnior fez um belo gol. Foi tudo. Raphinha não existiu. Casemiro naufragou.

Lucas Paquetá não tem o nível necessário. O centroavante raiz Thiago quase não tocou na bola. A defesa perdeu-se entre San Juan e Mendoza. O primeiro tempo foi um desastre, com um festival de passes errados. Uma miséria.

O que se viu em campo?

Um Brasil covarde, com medo de driblar, sem criatividade, ousadia e brilho individual. Ficou um jogo triste, com o Brasil sofrendo para não perder.

O treinador italiano Carlo Ancelotti não mostrou nesse primeiro jogo a que veio. Abrasileirou-se rápido: levou Neymar sem condições de jogo (tomara que se recupere e brilhe a ponto de levar o Brasil ao hexa), optou por um centroavante de área, pesado e sem movimentação, influência de algum brasileiro saudoso dos tempos em que isso funcionava ou parecia ser uma grande ideia.

O Marrocos foi melhor, amassou o Brasil nos primeiros minutos e merecia ter ganho. No final, atacou forte, obrigando Alisson a trabalhar. Há quem diga que Carlo Ancelotti teve pouco tempo para montar a equipe: só um ano. Até agora na Copa do Mundo quem mostrou futebol bonito, agradável de ser visto, com dribles e gols plásticos foi o time dos Estados Unidos, que patrolou o Paraguai dos palmeirenses Gustavo Gomes e Maurício.

O Brasil até pode ganhar a Copa, mas até o momento não se viu a marca do treinador Ancelotti. Neotáticos, que viam num estrangeiro a salvação da lavoura, começam a dizer que se trata de um técnico superado. Citam nomes da moda que deveriam ter sido escolhidos. Pura conversa de vira-latas.

Ancelotti errou na escalação. Deixou no banco o melhor jogador do Brasil no momento, o centroavante moderno: Endrick. O que será que atrapalha o Endrick? Entra, vai bem, faz gol e continua terceiro reserva.

Todo técnico tem, como se diz na gíria do futebol, seus “bruxinhos”, os jogadores preferidos, que, estando bem ou não, jogam por serem “homens de confiança”. O bruxinho número um de Ancelotti é o volante Casemiro.

Qualquer um sabe que o Brasil fez história pelo drible. As principais marcas do Brasil, do ponto de visto da identidade, são Pelé e Garrincha.

Faz-me rir ler ou ouvir que os Ronaldos foram melhores do que Garrincha. Europeus continuam apostando no drible. O Brasil, não. Viramos equipe de passe lateral, temerosa, tímida, burocrática, uma tristeza só.

Quando o Brasil destoava dos europeus e jogava intuitivamente, ganhava. Em 1970, João Saldanha queria se livrar de Pelé. Inventou até que ele tinha problemas de visão. Foi preciso derrubá-lo para ter o craque em campo. O resto é mitologia. Tem documentário que conta isso em detalhes.

Depois que os brasileiros compraram dos europeus a tese de que a tática é tudo, passaram a jogar muito menos. Perderam a coragem do risco.

Ainda dá tempo de melhorar. Fabinho pode ficar no lugar de Casemiro. Endrick precisa ser titular. Vini e Raphinha têm de fazer 50% do que realizam no Real Madrid e no Barcelona. Não dá para morrer na mediocridade.

Juremir Machado da Silva

Juremir Machado da Silva

Jornalista, escritor e professor de Comunicação Social na PUCRS, publica semanalmente a Newsletter do Juremir, exclusiva para assinantes dos planos Completo e Comunidade. Contato: juremir@matinal.org

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