Confira todos os textos da edição #316
- Ganhos desconectados de avanços, por Nadejda Marques
- Meu bem, meu mal, por Graça Craidy
- A nova Irlanda escrita por mulheres, por Matheus Cenachi
- Sobrevivendo ao Dia da Mulher, por Chris Cidade Dias
- A alma de uma cidade à prova d’água, por Álvaro Magalhães
- Histórias de Autógrafos: Wander Wildner em “Canções Iluminadas de Amor”, por Carlos Gerbase
- A medida das coisas humanas: Capítulo VI, por Helena Terra
- Walter Galvani, um homem de paixões, por Nubia Silveira
- Narrativas híbridas, por Carlos André Moreira
- Resenha do Hercólubus, por Paulo Damin
Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, cabe a seguinte reflexão: por que, embora mulheres ocupem posições importantes em várias áreas e setores, a realidade continua sendo a de um sistema sócio-político-econômico dominado por homens que as oprimem? Estaria a nossa avaliação dos avanços demasiadamente otimista?
Tomemos, por exemplo, os ganhos na escolaridade de meninas, uma das áreas usadas para ressaltar as conquistas alcançadas em relação aos direitos das mulheres. Em 2025, a ONU (Organização das Nações Unidas), em seu relatório para a Sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres, divulgou que na maioria das regiões do mundo, as meninas ultrapassam os meninos nos índices de educação secundária completa. Em vários cursos superiores, as mulheres também já ultrapassam os homens. Mas, o que isso significa na prática?
A educação não é um exemplo aleatório. O direito à ela é uma histórica demanda feminista por várias razões, algumas defendidas pelo professor Amartya Sen, que demonstra como ensino e aprendizado são um bem em si, e caso não existam, a ausência pode gerar pobreza. Segundo Sen, as escolas ensinam práticas sociais que, embora não tenham efeito direto nas vidas de indivíduos, representam progresso para comunidades. A educação ainda geraria agência política que permitiria a organização e a mobilização social. Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem.