Confira todos os textos da edição #316
- Ganhos desconectados de avanços, por Nadejda Marques
- Meu bem, meu mal, por Graça Craidy
- A nova Irlanda escrita por mulheres, por Matheus Cenachi
- Sobrevivendo ao Dia da Mulher, por Chris Cidade Dias
- A alma de uma cidade à prova d’água, por Álvaro Magalhães
- Histórias de Autógrafos: Wander Wildner em “Canções Iluminadas de Amor”, por Carlos Gerbase
- A medida das coisas humanas: Capítulo VI, por Helena Terra
- Walter Galvani, um homem de paixões, por Nubia Silveira
- Narrativas híbridas, por Carlos André Moreira
- Resenha do Hercólubus, por Paulo Damin
Há poucas semanas, grande parte de Portugal passou por algo semelhante ao que Porto Alegre viveu no ano passado: sentiu a fúria dos ventos e das águas. As tempestades, com ventos que chegaram a 206 km/h, varreram o país e deixaram um rastro de destruição enorme. Um lembrete sombrio de que a natureza não negocia com a complacência.
A imagem de ruas transformadas em rios, casas alagadas, encostas desbarrancadas e estradas varridas ecoa, de forma dolorosa, a catástrofe que se abateu sobre a capital gaúcha em 2024. A memória daquela enchente, que submergiu bairros e vidas, não é apenas uma cicatriz local; é um alerta global sobre a fragilidade de nossas cidades diante de um clima em mutação.
Os sistemas de proteção contra eventos climáticos extremos, concebidos décadas atrás, revelam-se incapazes de conter essa nova realidade, onde os desastres se tornaram mais constantes e mais destruidores.
O que se faz quando a infraestrutura que deveria ser a guardiã da cidade se torna cúmplice de sua ruína? A resposta não pode ser apenas consertar o que quebrou. É preciso reconstruir o próprio caráter da cidade, sua relação com o ambiente e seu contrato social.