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A alma de uma cidade à prova d’água

O conceito "Build Back Better" adotado globalmente deve ser o mantra de Porto Alegre

A alma de uma cidade à prova d’água
Foto: Elson Sempé Pedroso / CMPA

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Há poucas semanas, grande parte de Portugal passou por algo semelhante ao que Porto Alegre viveu no ano passado: sentiu a fúria dos ventos e das águas. As tempestades, com ventos que chegaram a 206 km/h, varreram o país e deixaram um rastro de destruição enorme. Um lembrete sombrio de que a natureza não negocia com a complacência.

A imagem de ruas transformadas em rios, casas alagadas, encostas desbarrancadas e estradas varridas ecoa, de forma dolorosa, a catástrofe que se abateu sobre a capital gaúcha em 2024. A memória daquela enchente, que submergiu bairros e vidas, não é apenas uma cicatriz local; é um alerta global sobre a fragilidade de nossas cidades diante de um clima em mutação.

Os sistemas de proteção contra eventos climáticos extremos, concebidos décadas atrás, revelam-se incapazes de conter essa nova realidade, onde os desastres se tornaram mais constantes e mais destruidores.

O que se faz quando a infraestrutura que deveria ser a guardiã da cidade se torna cúmplice de sua ruína? A resposta não pode ser apenas consertar o que quebrou. É preciso reconstruir o próprio caráter da cidade, sua relação com o ambiente e seu contrato social.