Confira todos os textos da edição #344
- Aiatolás da tradição: apontamentos para uma história natural, por Juarez Fonseca
- Quem tem medo da invenção?, por Jocelito Zalla
- A cerca de arame ganhou Wi-Fi: quarenta anos depois de “Aiatolás da tradição”, por Clarissa Ferreira
- “A grande salina”, de Ricardo Zelarayán, tradução e apresentação por Fabio B. Pinto
- Trilogia musical de Palomas, por Juremir Machado da Silva
- O cuidado pelas palavras: O manifesto de Irene Vallejo, por Helena Terra
- Astúcia brasileira, Luís Augusto Fischer entrevista Marcos Lacerda
- A dama da Duque – Capítulo IV, por José Roberto Iglesias
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 17 – Parte I, por Gonçalo Ferraz
Há alguns meses, o debate público sobre a invenção das tradições no Rio Grande do Sul parece ter ganhado um novo capítulo. Dessa vez, a arena se concentra nas mídias digitais. Até onde me foi possível levantar, as principais agentes da nova crítica são mulheres que se identificam com a cultura gauchesca (inspirada na cultura de campesinos gauchos/gaúchos), mas não aceitam o lugar de subalternidade feminina indicado pelo modelo tradicionalista da “prenda”. Reivindicam, portanto, protagonismo e liberdade, especialmente de expressão e criação, se apropriando do repertório de símbolos e gêneros culturais regionais para produzir novas formas de cantar, dançar, se vestir e se apresentar ao mundo. Muitas delas, ao enfrentar reações conservadoras, notadamente masculinas, dentro e fora dos círculos regionalistas, resgatam a história das chinas, mulheres campeiras livres do passado, por isso socialmente mal-vistas, e denunciam o purismo (ou fundamentalismo) de tradicionalistas mais ingênuos: se as tradições foram inventadas, por que não reinventá-las?