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Quem tem medo da invenção?

Parêntese #344

Quem tem medo da invenção?
Foto: Tiago Silveira/Pexels

Confira todos os textos da edição #344

Há alguns meses, o debate público sobre a invenção das tradições no Rio Grande do Sul parece ter ganhado um novo capítulo. Dessa vez, a arena se concentra nas mídias digitais. Até onde me foi possível levantar, as principais agentes da nova crítica são mulheres que se identificam com a cultura gauchesca (inspirada na cultura de campesinos gauchos/gaúchos), mas não aceitam o lugar de subalternidade feminina indicado pelo modelo tradicionalista da “prenda”. Reivindicam, portanto, protagonismo e liberdade, especialmente de expressão e criação, se apropriando do repertório de símbolos e gêneros culturais regionais para produzir novas formas de cantar, dançar, se vestir e se apresentar ao mundo. Muitas delas, ao enfrentar reações conservadoras, notadamente masculinas, dentro e fora dos círculos regionalistas, resgatam a história das chinas, mulheres campeiras livres do passado, por isso socialmente mal-vistas, e denunciam o purismo (ou fundamentalismo) de tradicionalistas mais ingênuos: se as tradições foram inventadas, por que não reinventá-las?