Confira todos os textos da edição #347
- 100 anos de Foucault: o perigo dos discursos e o prazer de pensar, por Rosa Maria Bueno Fischer
- Cuidado com o precipício, por Miguel Reale Júnior
- O memorial que sumiu, por Jorge Barcellos
- Respostas ao que me foi perguntado sobre Dalton Trevisan, por Miguel Sanches Neto
- Escrita humana, inteligência artificial, por Roberto Velloso Eifler
- E rir é humano, por Guto Leite
- A indústria do bem-estar, por Juremir Machado da Silva
- Uma novela de formação: um dia de sol, Luís Augusto Fischer entrevista Adriano Silva
- A dama da Duque – Capítulo VII, por José Roberto Iglesias
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 18 – Parte I, por Gonçalo Ferraz
Fui o primeiro a alertar no WhatsApp, logo após ler uma notícia publicada em Zero Hora: a área museológica de Porto Alegre e os defensores da memória urbana precisavam prestar atenção urgente ao fato de que o espaço destinado originalmente para o memorial do Viaduto Otávio Rocha seria transformado em um bar. A preservação da memória e a valorização do patrimônio histórico nunca foram o forte do prefeito Sebastião Melo (MDB) de matriz neoliberal. Não bastou o abandono do memorial do Mercado Público, agora vemos a verdadeira lógica da prática de governo em relação a memória. Em vez de preservar, conforme estipulado no projeto original de revitalização, o espaço reservado para a função museológica é sumariamente entregue para a exploração do bar.
A substituição da história pelo consumo não representa um mero detalhe administrativo.
Não tenho absolutamente nada contra bares, cafés, restaurantes ou estabelecimentos assemelhados na dinâmica urbana. A questão de fundo não é a existência do comércio, mas a substituição deliberada do sentido histórico pelo mero uso mercadológico. O viaduto existe porque possui uma história densa, complexa e socialmente relevante que precisa ser relembrada e transmitida às gerações futuras. É assim que se faz no mundo inteiro, mas parece ser o oposto do que ocorre em Porto Alegre.