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Ganhos desconectados de avanços

Parêntese #316

Confira todos os textos da edição #316

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, cabe a seguinte reflexão: por que, embora mulheres ocupem posições importantes em várias áreas e setores, a realidade continua sendo a de um sistema sócio-político-econômico dominado por homens que as oprimem? Estaria a nossa avaliação dos avanços demasiadamente otimista?   

Tomemos, por exemplo, os ganhos na escolaridade de meninas, uma das áreas usadas para ressaltar as conquistas alcançadas em relação aos direitos das mulheres. Em 2025, a ONU (Organização das Nações Unidas), em seu relatório para a Sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres, divulgou que na maioria das regiões do mundo, as meninas ultrapassam os meninos nos índices de educação secundária completa. Em vários cursos superiores, as mulheres também já ultrapassam os homens. Mas, o que isso significa na prática? 

A educação não é um exemplo aleatório. O direito à ela é uma histórica demanda feminista por várias razões, algumas defendidas pelo professor Amartya Sen, que demonstra como ensino e aprendizado são um bem em si, e caso não existam, a ausência pode gerar pobreza. Segundo Sen, as escolas ensinam práticas sociais que, embora não tenham efeito direto nas vidas de indivíduos, representam progresso para comunidades. A educação ainda geraria agência política que permitiria a organização e a mobilização social. Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem.