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Meu bem, meu mal

Parêntese #316

Meu bem, meu mal
Imagem: Acervo de Graça Craidy

Confira todos os textos da edição #316

Na primeira semana de março, Graça Craidy expôs 12 obras na Assembleia Legislativa do RS, marcando o lançamento de uma nova edição do Relatório Lilás, que compila dados sobre o feminicídio no Rio Grande do Sul. Confira abaixo um texto da artista visual, inspirado nas situações enfrentadas por mulheres no estado.


A violência contra a mulher, na história do mundo, é fruto da falsa construção cultural machista de que ela é inferior ao homem, sua propriedade, criada para servi-lo e parir seus herdeiros legítimos. Daí o intento de circunscrevê-la ao ambiente doméstico, submissa aos desejos e ordens do marido que, privilegiado pelo simples fato de nascer homem, é considerado superior.

Essa insidiosa estratégia de desigualdade e manutenção do espaço de poder masculino atravessa os séculos, abonada pela religião – a Bíblia, a Torá, o Alcorão e todos os livros ditos sagrados foram escritos por homens –, pela ciência, praticada majoritariamente por homens, e se reflete nas leis, também em sua maioria criadas pelos homens.