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O memorial que sumiu

Parêntese #347

O memorial que sumiu
Arte elaborada a partir de projeto inicial do Viaduto Otávio Rocha (disponibilizado pela prefeitura de Porto Alegre) que contemplava o memorial.

Confira todos os textos da edição #347

Fui o primeiro a alertar no WhatsApp, logo após ler uma notícia publicada em Zero Hora: a área museológica de Porto Alegre e os defensores da memória urbana precisavam prestar atenção urgente ao fato de que o espaço destinado originalmente para o memorial do Viaduto Otávio Rocha seria transformado em um bar. A preservação da memória e a valorização do patrimônio histórico nunca foram o forte do prefeito Sebastião Melo (MDB) de matriz neoliberal. Não bastou o abandono do memorial do Mercado Público, agora vemos a verdadeira lógica da prática de governo em relação a memória. Em vez de preservar, conforme estipulado no projeto original de revitalização, o espaço reservado para a função museológica é sumariamente entregue para a exploração do bar.

A substituição da história pelo consumo não representa um mero detalhe administrativo. 

Não tenho absolutamente nada contra bares, cafés, restaurantes ou estabelecimentos assemelhados na dinâmica urbana. A questão de fundo não é a existência do comércio, mas a substituição deliberada do sentido histórico pelo mero uso mercadológico. O viaduto existe porque possui uma história densa, complexa e socialmente relevante que precisa ser relembrada e transmitida às gerações futuras. É assim que se faz no mundo inteiro, mas parece ser o oposto do que ocorre em Porto Alegre.