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Os 400 anos das Missões Jesuíticas: o Rio Grande Guarani

Parêntese #325

Os 400 anos das Missões Jesuíticas: o Rio Grande Guarani
Mapa de José Sanchez Labrador, que foi missionário por 30 anos entre os indígenas da região platina. A cartografia mostra a localização aproximada das primeiras reduções do Tape. Labrador tentou localizar Reduções que teriam existido 100 anos antes da vivência dele com os Guarani.

Em 1626, um missionário jesuíta chamado Roque Gonzáles de Santa Cruz cruzou o rio Uruguai de oeste para leste, entrando em uma região que os indígenas Guarani denominavam Tape. Já haviam se passado 16 anos desde que seus companheiros haviam ingressado no Guairá, hoje oeste do Paraná, com o objetivo de evangelizar os Guarani. Iniciava-se ali um processo de contato, encontro, confronto, conflito e negociação entre jesuítas e os Guarani que duraria mais de 150 anos.

O resultado desse processo foram as célebres “Missões Jesuíticas”. Célebres, entre outras razões, porque se tornaram um ponto de discórdia na historiografia gaúcha nas décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970. Alguns autores consideravam que a história do Rio Grande do Sul teria início com a fundação de Rio Grande, em 1737, em conexão com a Colônia do Sacramento, hoje em território uruguaio, fundada em 1680. Nessa perspectiva, as Missões, iniciadas em 1626 por iniciativa dos jesuítas a serviço da Espanha, não fariam parte da história gaúcha. Outros autores, por sua vez, interpretavam que o Rio Grande do Sul possuía uma relação social e histórica direta com as Missões.