Olá! Por um erro nosso a news foi enviada ontem à noite, pedimos desculpas pelo ocorrido. Agora vamos ao que importa: as mulheres superaram os homens em cargos docentes nas universidades gaúchas, é o que mostra o Censo da Educação Superior mais recente. Além desse destaque, na edição de hoje você também vai ler:
🏭 Fepam pede mais prazo ao MPF para responder caso da CMPC
🧑🏽💼 Melo afirma que vai trabalhar pela jornada 6x1
🤖 Santa Casa vai testar IA para prever risco de câncer de mama
⚽️ Nando Gross aborda a pressão sobre o técnico Roger Machado
📚 No Dia Mundial do Livro, Augusto Darde celebra a literatura e nossos repórteres dão dicas de leitura
🎞️ Roger Lerina resenha a adaptação cinematográfica de O estrangeiro
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Professoras são maioria no ensino superior gaúcho, mas virada não chegou para docentes negros, pardos e indígenas
Em 2014, o número de professores homens nas universidades do Rio Grande do Sul superava o de mulheres à frente das salas de aula: eram 52% de docentes homens contra 48% de mulheres. O Censo da Educação Superior de 2024 evidenciou uma virada nesse cenário. Dez anos depois, as professoras passaram a ser maioria (51%).
Mas a diversidade étnico-racial nas salas de aula não acompanhou essa mudança. Dos 20,6 mil professores de ensino superior do estado, apenas 4,1% são pretos, pardos ou indígenas. Outros 0,2% são amarelos e 11,1% dos professores não tiveram suas informações étnico-raciais enviadas pelas instituições de ensino ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que realiza o Censo.
Mesmo sendo maioria, mulheres relataram à reportagem de GZH as dificuldades de estar à frente das salas de aula.
“Enquanto um homem fala uma vez e as pessoas acreditam no que ele está falando, nós, mulheres, muitas vezes precisamos falar cinco, seis vezes para sermos ouvidas”, desabafou a professora Iana Gomes de Lima, da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Assim como Iana, mais da metade dos professores está lotado em universidades federais como a UFRGS (50,9%). Os demais trabalham em instituições sem fins lucrativos (37%) – a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), por exemplo, se enquadra como comunitária – e outros 1,2% estão lotados na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), a única estadual.
O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Fepam adia novamente resposta ao MPF sobre suspensão de licenciamento da CPMC
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental do RS (Fepam), solicitou ontem ao Ministério Público Federal (MPF) nova prorrogação de prazo para responder à recomendação de suspender o processo de licenciamento ambiental do Projeto Natureza, da CPMC, em mais 15 dias, conforme o Jornal do Comércio. A Fundação declara a necessidade de concluir análises técnicas em andamento. É a segunda extensão de prazo solicitada pelo órgão, após a primeira ter sido concedida em 19 de março, com a justificativa de esperar maiores esclarecimentos por parte da Funai.
Em março, a Matinal mostrou que o MPF havia recomendado a suspensão imediata dos processos de implementação da planta e das obras associadas, devido a falta de cumprimento dos ritos de consulta prévia, livre e informada às oito aldeias de povos indígenas Mbyá Guarani que vivem na área de influência indireta do empreendimento, além de apontar falhas graves no estudo e relatório de impacto ambiental (EIA-Rima).
Escala 6x1: Melo vai trabalhar contra redução da jornada de trabalho
Na condição de presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), Sebastião Melo (MDB) irá articular contra a implementação do fim do projeto da escala 6x1, protocolada pelo governo federal. Já em tramitação no Congresso, o projeto recebeu ontem aval da Comissão de Constituição e Justiça da casa, seguindo agora para avaliação em uma comissão especial. Em palestra nesta quarta-feira durante o evento Tá na Mesa, da Federasul, entidade que também se posicionou contra a proposta, o prefeito disse que a eventual aprovação do projeto trará consequências imediatas à prestação do serviço público, em razão das terceirizações. “Quem vai pagar essa conta é o povo”, sentenciou ele, prevendo transtornos em contratos de serviços terceirizados.
O prefeito deve apresentar na próxima semana um estudo encomendado pela FNP que indica perdas de até 30 bilhões com a eventual aprovação da proposta. No evento, Melo respaldou estudos de entidades empresariais, enquanto classificou como teses os argumentos de defesa da redução da jornada de trabalho.
O uso de inteligência artificial para detectar o câncer de mama em pacientes da capital está mais perto de se tornar realidade. Nesta semana, a Santa Casa, em parceria com a Procempa – empresa de tecnologia da prefeitura –, conseguiram aprovação do Conselho de Ética em Pesquisa da instituição de saúde para realizar um teste clínico com a Mirai. A IA, desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é capaz de analisar imagens de mamografias, calculando a probabilidade do desenvolvimento de doenças nos cinco anos seguintes.
A tecnologia foi calibrada para operar localmente, e os resultados desse processo foram publicados no periódico Brazilian Journal of Oncology. Depois que a IA processar os dados de mamografias, pacientes com pontuação de alto risco serão encaminhados para a ressonância magnética, enquanto um grupo de controle segue um acompanhamento habitual. O intuito é entender se a ferramenta aumenta a detecção da doença em estágio inicial. A implementação oficial da tecnologia, caso tenha sucesso, ainda vai depender da busca por financiamento, garantindo um teste em maior escala.
OUTRAS NOTÍCIAS
Uma lei que institui renda básica de cidadania em Porto Alegre foi proposta na última quinta-feira pela vereadora Natasha Ferreira (PT). O texto teve assinatura simbólica do deputado estadual de SP Eduardo Suplicy, que estava presente na sessão solene.
A UTI Neonatal do Hospital Fêmina foi fechada temporariamente após a detecção de uma superbactéria. Quatro pacientes testaram positivo e um bebê prematuro extremo morreu. No ano passado, um hospital de Novo Hamburgo registrou um surto da mesma bactéria.
A tarifa das lotações de Porto Alegre passará a custar 9 reais a partir da próxima segunda-feira.
O Consórcio Pulsa RS declarou que está pronto para assinar o contrato de concessão do Cais Mauá. O grupo, que deverá desembolsar 11 milhões de reais após a assinatura, pretende formalizar o vínculo ainda em maio.
O secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Germano Bremm, disse em entrevista à Rádio Gaúcha que o município vai buscar diálogo com o Ministério Público, para evitar a judicialização do Plano Diretor. O promotor Cláudio Ari Pinheiro de Mello, no entanto, alerta que as estratégias da prefeitura são insuficientes.
Em razão da restrição de presos no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), detentos têm aguardado transferência, desde o início da semana, em unidades policiais e viaturas. Uma decisão judicial que entrou em vigor na sexta-feira impede a entrada de novos detentos em cumprimento de mandado no complexo.
O Centro de Referência do Envelhecimento e Movimento da UFRGS firmou um convênio com a prefeitura para qualificar o atendimento a pessoas idosas.
Ontem a gestão municipal entregou um novo Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil, no bairro Cavalhada. A unidade poderá fazer 60 atendimentos por dia.
Implementado há três meses, o sistema do governo do RS que monitora agressores de mulheres com tornozeleira eletrônica já disparou 877 mil alertas. Conheça os bastidores da ferramenta.
E o projeto do Ministério Público gaúcho que tenta recapturar criminosos foragidos e procurados por feminicídio efetuou a primeira prisão na segunda-feira (20), em Rio Grande.
O MP recomendou que Encantado suspenda a execução do contrato de coleta e tratamento de esgoto, firmado com a Corsan/Aegea – a empresa é uma das interessadas em assumir a gestão do Dmae.
Profissionais da educação do Canoas entraram em greve por tempo indeterminado. A categoria argumenta que está há 24 anos sem aumento, e enfrenta déficit de recursos e precariedade estrutural em instituições.
Juremir continua contando histórias em torno de Dom Segundo, a partir da obra de Ricardo Güiraldes: “Sempre me parecera ao mesmo tempo romance de iniciação e etnografia de um tempo que já desaparecia”.

Quando a crítica deixa de ser só futebol
A pressão sobre treinador no Brasil sempre existiu, faz parte do jogo. Mas no caso de Roger Machado, a discussão não pode parar só no desempenho. Roger é um dos poucos técnicos negros na Série A, ao lado de Jair Ventura. Isso, por si só, já expõe um desequilíbrio histórico no futebol brasileiro. Quando a cobrança ultrapassa o campo e vira ataque pessoal, desqualificação constante e impaciência seletiva, é legítimo perguntar: é só futebol mesmo?
Leia a coluna completa
DIA MUNDIAL DO LIVRO
A demora do livro, a demora do idioma
por Augusto Darde
Só que ler não é o mesmo que calcular. A leitura é reflexão, tempo para pensar e criar, nisso devemos estar de acordo. Se demoramos mais que a IA para elaborar respostas, não é porque o nosso sistema é mais devagar: é porque a gente reflete, põe a mão no queixo, vira o olho, mergulha, passeia pelas ramificações cerebrais.
Leia o texto completo →Clássicos de agora e sempre – uma pesquisa sobre os melhores livros gaúchos de todos os tempos, acompanhada de um relato sobre o que pensam os escritores gaúchos mais lidos do século 21
Sobre a elitização da leitura numa livraria de shopping e a invisibilidade das livrarias de rua, texto de Marlon Pires Ramos
Louças de Família: Eliane Marques mergulha na ancestralidade e expõe os estilhaços da servidão doméstica, reportagem de Geovana Benites
Escute as feras, de Nastassja Martin (editora 34)
"Leitura rápida, fluida, mais impactante que a mordida de um urso: em busca de grupos que dependem das florestas siberianas para sobreviver, a antropóloga Nastassja Martin se vê diante de um encontro que altera profundamente sua maneira de perceber a realidade". Dica do nosso repórter, João Neto.
Cabeça de porco, de Luiz Eduardo Soares, MV Bill e Celso Athayde (editora Objetiva)
"Com relatos crus e chocantes sobre a juventude imersa na vida do crime em diferentes estados brasileiros, o livro se propõe a apontar saídas sem apelar ao punitivismo e/ou ao moralismo. Publicado em 2005, a leitura é extremamente atual ao contextualizar a violência urbana nas periferias do Brasil". Dica do nosso repórter, Pedro Pereira.

CULTURA
“O Estrangeiro” ganha versão no cinema à altura de Camus

Exibido no Festival de Veneza, O Estrangeiro (2025) leva ao cinema o clássico da literatura escrito por Albert Camus (1913 ⎯ 1960). Considerado por muitos como infilmável, o romance do filósofo e escritor franco-argelino ganhou na versão assinada por François Ozon uma versão à altura da desconcertante apatia diante da vida do protagonista da obra. Leia a resenha de Roger Lerina.
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