Pular para o conteúdo

Smed corrige edital e assume que escolherá diretores de escolas

Correção esclarece que convocação para cargos de diretoria não seguirá classificação do edital. Críticos alertam para risco de indicações políticas

Smed corrige edital e assume que escolherá diretores de escolas
Secretário da Educação, Leonardo Pascoal, assina errata de edital | Foto: Alex Rocha/PMPA

Após encerradas as inscrições do edital para habilitação para função de diretor e vice-diretor de escolas municipais de Porto Alegre, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) publicou uma errata. O novo texto informa que a pasta será responsável por escolher quais candidatos, dentre os aprovados no processo, ocuparão os cargos de direção. 

Antes da correção, o edital previa que a convocação dos candidatos habilitados no processo seguiria “rigorosamente a ordem de classificação” das notas obtidas nas seis etapas previstas: prova objetiva, entrevista individual, análise psicológica, análise de títulos e curso de formação.

Com a correção, a prefeitura deixa de ser obrigada a obedecer a ordem de classificação dos candidatos aprovados no concurso. Os candidatos passarão a integrar o “Banco de Gestores Escolares”. O novo texto do edital prevê que a designação das funções seguirá as necessidades da Smed, e que a aprovação no processo não dá direito ao servidor de ocupar a função de diretoria.

A nova redação é quase idêntica à norma de provimento do Projeto de Lei 27/2025, proposto por Sebastião Melo (MDB) e enviado à Câmara de Vereadores em maio.

O único trecho adicional presente no PL diz respeito ao prazo: o PL informa que a habilitação no Banco de Gestores será válida por quatro anos. 

PL consolida desejo da gestão de indicar diretores

O projeto de lei pretende normatizar o processo seletivo de diretores e vices na capital e foi apresentado depois de uma liminar do Tribunal de Justiça (TJRS) gaúcho, que pôs fim às eleições diretas para direção das escolas municipais a pedido da gestão Melo. Até então, diretores e vice-diretores eram eleitos pela comunidade, um pacto democrático que vigorava há 40 anos.

“É um processo que serve apenas para habilitar para uma lista, cuja indicação é do poder discricionário do secretário”, ressalta Isabel Medeiros, diretora da Atempa. “Posso ser o último da lista e ser o primeiro a ser chamado. Posso ser o primeiro classificado e não ser chamado nunca. Nesse acesso, não existe critério técnico”, conclui Medeiros.

Outro ponto criticado por professores e profissionais da área da educação é a determinação de que, se não forem preenchidas todas as vagas para funções de diretoria, a Smed selecionará os ocupantes para as vagas remanescentes. “Ainda podem ser chamadas pessoas que não passaram pelo processo de habilitação, já que o edital prevê que, se não houver habilitados o suficiente para as escolas, a Smed vai selecionar”, pontua a diretora da Atempa.

Para a deputada Sofia Cavedon (PT), o processo pode abrir brechas para indicações políticas. “Na verdade, forma-se uma lista sem hierarquia. O governo vai escolher quem quiser dos credenciados e indicar. Na prática, essas pessoas serão cargos de confiança do governo, o que significa inclusive a possibilidade de indicações políticas”, pontua a deputada. 

As inscrições para o edital de habilitação para a função de direção e vice-direção de escolas municipais de Porto Alegre se encerraram no domingo (16). Ao todo, 363 candidatos se inscreveram, segundo listagem preliminar publicada no Diário Oficial de Porto Alegre (DOPA).

Valentina Bressan

Repórter investigativa na Matinal. Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Já publicou nas revistas Veja Saúde, Viagem & Turismo e Superinteressante. Contato: valentina@matinal.org

Todos os artigos

Mais em Reportagem

Ver tudo

Mais de Valentina Bressan

Ver tudo