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"As Correntes" mergulha na crise existencial de uma mulher

Drama acompanha o colapso íntimo de uma estilista argentina de sucesso

"As Correntes" mergulha na crise existencial de uma mulher
Filmes do Estação/Divulgação

Aplaudido em importantes festivais internacionais como o espanhol San Sebastián, As Correntes (2025) é o novo longa de Milagros Mumenthaler, cineasta argentina-suíça reconhecida por filmes de sensibilidade intensa, personagens femininas complexas e narrativas íntimas. Nesse drama de atmosfera enigmática, uma protagonista confronta-se diante de questões como aparência, desejo e rompimento.

Em As Correntes, Lina (Isabel Aimé González-Sola) é uma estilista argentina bem-sucedida de 34 anos que viaja à Suíça para receber um importante prêmio. Depois do evento, ela circula a esmo por Genebra e, movida por um impulso súbito, joga-se no rio Ródano.

De volta a Buenos Aires e à rotina profissional e doméstica, ao lado do marido e da filha pequena, Lina não conta a ninguém o que aconteceu – mas alguma coisa em seu íntimo mudou. De forma silenciosa, uma fobia à água começa a reorganizar o cotidiano da personagem, seus vínculos afetivos e a imagem de controle que construiu em sua vida.

Filmes do Estação/Divulgação

As Correntes chega ao circuito brasileiro após passagem pelo Festival do Rio, onde foi exibido na mostra Première Latina e venceu o Prêmio do Público da seção.

Mais do que o retrato de um colapso existencial, o longa aborda de maneira instigante temas como autoimagem, desencaixe social e dissociação psicológica. Com uma narrativa oblíqua e uma paisagem sonora envolvente, As Correntes dialoga com a tensão sensorial de A Mulher sem Cabeça (2008), da argentina Lucrecia Martel, e com o retrato de dissociação feminina de Mal do Século (1995), do estadunidense Todd Haynes, construindo uma narrativa singular sobre deslocamento, identidade e instabilidade emocional.

Filmes do Estação/Divulgação

No contraste entre sofisticação e vertigem, mundo exterior e zonas invisíveis da subjetividade, a diretora e roteirista Milagros Mumenthaler – cujo primeiro longa, Abrir Portas e Janelas (2011), recebeu o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno – apresenta um instigante quebra-cabeça existencial, marcado por delicadeza formal e profunda interioridade psicológica.

Filmes do Estação/Divulgação

As Correntes: * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de As Correntes:

Dirigido e escrito por Milagros Mumenthaler, As Correntes confirma a cineasta como uma das vozes mais sensíveis do cinema contemporâneo latino-americano e europeu. Seu primeiro longa, Abrir Puertas y Ventanas, recebeu o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, marco importante de sua trajetória internacional.

Roger Lerina

Roger Lerina

Jornalista e crítico de cinema. Editou de 1999 a 2017 a coluna Contracapa sobre artes, cultura e entretenimento, publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora.

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