Bom dia! Na edição de hoje, mostramos que o Ministério Público pode levar à Justiça o empreendimento do Zaffari por impacto à Mata Atlântica. Também trazemos os seguintes destaques:
🏗️ Representação no MP contra torre na Gonçalo de Carvalho
🏘️ O que falta para regularizar o Quilombo Família Fidélix
🐆 Menor felino selvagem do Brasil é filmado no Lami
💬 Parêntese: presença, resistência e extermínio dos Povos Indígenas
🍽️ Tudo É Gênero: Marcela Donini fala sobre fome e culpa nas Andradas
🏙️ Juremir analisa o novo Plano Diretor de Porto Alegre
Boa leitura!
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Empreendimento do Zaffari pode parar na justiça por impacto à Mata Atlântica
O Ministério Público do Rio Grande do Sul pode levar à Justiça o empreendimento imobiliário planejado pelo Grupo Zaffari na zona norte de Porto Alegre, após apontar falhas nos estudos ambientais apresentados para o licenciamento. A área, de cerca de 50 hectares no bairro Itu Sabará, abriga remanescentes de Mata Atlântica – bioma protegido por lei – e teve a licença de instalação suspensa enquanto o caso é analisado.
Segundo o MP, os laudos entregues pelas empresas subestimam o estágio de regeneração da vegetação e não garantem a identificação de espécies raras ou ameaçadas. A avaliação é central porque define o grau de proteção exigido: quanto mais avançado o estágio da mata, mais restrições recaem sobre o empreendimento. “Se as respostas não forem satisfatórias do ponto de vista técnico, podemos judicializar”, afirmou o promotor Felipe Teixeira Neto.
A contestação é reforçada por análises da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e de especialistas, que identificaram inconsistências metodológicas e possível omissão de espécies típicas de estágios mais avançados da floresta. Também chama atenção o fato de estudos anteriores terem “rebaixado” a classificação da vegetação ao longo do tempo, contrariando a tendência natural de regeneração.
O projeto foi autorizado sem a exigência de Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) e teve sua análise fragmentada em diferentes etapas, o que, segundo críticos, dificulta a compreensão do impacto total sobre a área. O caso já havia sido noticiado pela Matinal, que revelou a contestação do MP aos estudos ambientais do empreendimento. Agora, a prefeitura tem prazo para se manifestar, e a decisão do Ministério Público pode transformar o empreendimento em mais um capítulo de disputa entre expansão urbana e preservação ambiental em Porto Alegre.
Leia a reportagem completa:O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER
Entidades entregam representação no MP contra torre na Gonçalo de Carvalho
O Movimento Viva Gonçalo, ao lado de outras entidades, protocolou na semana passada uma representação no Ministério Público contra a construção de edifício no estacionamento do Shopping Total, em área contígua à rua Gonçalo de Carvalho. O grupo também anexou um abaixo-assinado contra o empreendimento da construtora Melnick que, até ontem, somava mais de 7,4 mil assinaturas.
O objetivo é pedir ao MP uma investigação sobre o caso. A representação foi protocolada por Vera Guasso e Débora Bertol, articuladoras do grupo de moradores da rua e seus arredores. Por força de liminar, a obra – que ainda não teve início – foi suspensa no último dia 1º de abril por conta de seu potencial dano ao meio ambiente, compreendendo as dimensões ecológica, paisagística, faunística e cultural. Batizado de “Tipuanas”, o projeto do edifício prevê uma torre de cerca de 60 metros de altura, tendo 163 apartamentos distribuídos em 20 andares.

Quilombo Família Fidélix tem desapropriação autorizada: o que vem a seguir?
Em março de 2026, um decreto presidencial representou o avanço mais concreto na regularização do território do Quilombo Família Fidélix desde 2023, quando a área foi oficialmente reconhecida. A comunidade, com 23 famílias descendentes de pessoas escravizadas, ocupa a área entre a Azenha e a Cidade Baixa, em Porto Alegre, desde os anos 1980. A luta pela regularização é registrada desde 2004.
Relembre a cronologia e o que vem pela frente:
- Anos 1980: Famílias negras vindas de Santana do Livramento se instalam na região da antiga Ilhota, histórico reduto de ocupação negra na capital. O território nasce ligado à memória de matriarcas ancestrais lembradas pela comunidade, cujas histórias remontam à escravidão na fronteira oeste do RS.
- 2004 a 2007: A comunidade inicia a luta formal pela regularização em 2004. Cinco famílias são despejadas e depois reintegradas. O processo é aberto no Incra em 2007.
- 2015 a 2023: Em outubro de 2015, o território é oficialmente identificado e delimitado pelo Incra. Em 20 de novembro de 2023, no Dia da Consciência Negra, a Portaria de Reconhecimento formaliza os limites da área.
- Março de 2026: Durante a Conferência de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, em Brasília, Lula assina o decreto que autoriza a desapropriação das áreas privadas dentro do território da Família Fidélix.
- O que vem a seguir: A partir de agora, começa a fase prática da regularização. O governo federal precisa identificar, avaliar e indenizar os ocupantes não quilombolas nas áreas privadas incluídas no território. No caso das áreas públicas (como as que pertencem ao município de Porto Alegre), é necessário resolver a destinação da terra para viabilizar a titulação. Concluídas essas etapas, o território pode ser oficialmente titulado de forma coletiva, em nome da associação da comunidade.

Menor felino selvagem do Brasil é filmado no Lami
Não é um gatinho: um felino ameaçado de extinção e pouco maior que um animal doméstico foi flagrado enquanto passeava pela zona sul de Porto Alegre, em uma área de mata na região do Lami. O Leopardus guttulus, conhecido como gato-do-mato-pequeno, foi filmado por câmeras escondidas do projeto Felinos do Pampa.
Dados moleculares reconheceram o bichano como uma espécie distinta somente em 2013 – até então, era considerado uma subespécie do Leopardus tigrinus. Trata-se de um predador ágil e solitário, excelente escalador de árvores e com alimentação baseada em pequenos roedores, aves e lagartos. Para evitar o encontro com predadores maiores, como a jaguatirica, a espécie tende a adaptar o hábito conforme a própria coloração: indivíduos de pelagem totalmente preta preferem caçar em noites de lua cheia, enquanto os pintados são mais ativos em noites mais escuras.
OUTRAS NOTÍCIAS
Por falar em animais silvestres: você se lembra do cervo encontrado na última semana na capital, ferido após confronto com cães? Pois na sexta, um bugio-ruivo também foi resgatado na avenida Nonoai, na zona sul, pela Secretaria do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade.
A vacinação contra a covid-19 é retomada em Porto Alegre; veja os postos.
Em visita ao RS, o deputado de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) recebeu o título de cidadão pela Câmara de Porto Alegre. A homenagem foi proposta pela vereadora Natasha Ferreira (PT).
O ex-vereador Gilvani Gringo foi preso preventivamente, durante uma operação da Polícia Civil. A ofensiva, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, também realizou mandados de busca e apreensão contra familiares de Gilvani.
O tarifaço americano de 2025 empurrou produtores rurais gaúchos a exportar por conta própria, sem passar por tradings. O resultado: 141% mais produtores vendendo diretamente ao exterior em um ano, em um movimento que só foi possível enxergar porque a nota fiscal eletrônica, agora obrigatória, registra tudo em tempo real.
Estão abertas as inscrições para 20 concursos públicos no Rio Grande do Sul. Ao todo, os processos seletivos ofertam 386 vagas, com salários entre 1,5 mil e 20 mil reais.
Juremir reflete sobre a aprovação do novo Plano Diretor de Porto Alegre: “O neoliberalismo gaudério é a vanguarda da pré-modernidade. Anda para trás.”
Coadjuvante? O Rio Grande do Sul não terá nenhum candidato a presidente ou vice nas eleições de outubro. Nas três primeiras eleições pós-redemocratização, o estado sempre marcou presença – com Bisol (vice de Lula em 89), Brizola (candidato próprio em 89 e 94) e de novo Brizola (vice de Lula em 98). De 2002 pra cá, apenas Manuela D'Ávila, em 2018, como vice de Haddad, entrou na disputa. Eduardo Leite seria o próximo — mas o PSD escolheu Caiado, e o RS fica de fora mais uma vez.
19 de abril: Presença, resistência e extermínio dos Povos Indígenas
por Cristiano Goldschmidt
O calendário, essa invenção meticulosa que pretende domesticar o tempo, marca com discrição quase burocrática o 19 de abril: “Dia dos Povos Indígenas”. Como se fosse possível — ou aceitável — confinar em um único quadrado a imensidão de mundos que essa inscrição tenta abarcar. Há, nesse gesto aparentemente inocente, uma violência silenciosa: a de reduzir milênios de existência, memória e presença a uma data administrável, pronta para ser lembrada e, logo em seguida, esquecida. Porque aquilo que se tenta fixar ali — em tinta, número e rotina — não se deixa conter: são vidas, cosmologias, territórios e modos de ser que transbordam qualquer margem imposta pelo tempo dos homens.
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Fome na calçada da Andradas
Ainda reverbera em mim a cena do jovem se afastando com a maionese balançando dentro daquela pequena sacola de plástico tão frágil quanto a situação de quem tem fome. Ele seguiu caminhando pela Andradas, onde tantos outros trabalhadores da região ainda almoçavam com talheres em mãos, tomavam o copo de refri grátis e comiam a sobremesa inclusa. Onde seguiam passando carros, patinetes e pedestres apressados.
CULTURA
"DTF St. Louis" e o que faltava no seu casamento desaquecido

Marcelo Carneiro da Cunha escreve sobre a série da HBO, estrelada por Jason Bateman, que gira em torno de um aplicativo para encontros discretos. Leia a resenha completa.
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