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A nota que envergonha o Grêmio

A nota que envergonha o Grêmio
Alberto Guerra | Foto: Instagram

O presidente do Grêmio, Alberto Guerra, conseguiu um feito raro. Em vez de defender o clube, que vive um ano difícil, decidiu atacar jornalistas com um texto grosseiro, misógino e covarde, cheio de insinuações e nenhum nome. Preferiu a sombra à responsabilidade, o palavreado de boteco à postura de dirigente. É a prova de que não suporta a pressão do cargo.

Quando um presidente chama um jornalista de “filho de chocadeira”, atravessa uma fronteira perigosa. O ataque não atinge só o profissional, atinge a mãe dele, que é advogada inscrita na OAB, colega de profissão do próprio Alberto Guerra. Não é só ofensa, é machismo puro. E vem do mais alto cargo do clube, o que torna tudo ainda mais grave.

Não bastasse isso, Guerra resolveu usar expressões como “irmãos Metralha”, “cornetinha recalcado” e outras frases vulgares que seriam constrangedoras até num grupo de WhatsApp. De um presidente do Grêmio, são imperdoáveis. Ele pode até achar engraçado, pode achar que está “respondendo críticas”, mas na prática está liberando geral para que o debate esportivo afunde de vez no pântano da agressão pessoal.

O Grêmio não é isso. Não foi isso nas mãos de Fábio Koff, Hélio Dourado, Rudi Armin Petry ou Luiz Carlos Silveira Martins. Homens que discordavam, discutiam, se irritavam, mas sabiam que o presidente representa a instituição. Representa sóbrio. Representa à altura da história do clube. Guerra, com essa nota, mostrou que não tem estrutura emocional para o cargo. Foi pequeno num momento em que precisava ser grande.

E quando o presidente perde a linha desse jeito, manda um recado claro para o país. Diz que qualquer debate vale. Que qualquer insulto serve. Que a crítica vira inimiga e o contraditório vira ameaça. É uma pena. O Grêmio já tem problemas suficientes em campo. Não precisava importar problemas de caráter para a sua sala presidencial.

Um dirigente passa, o Grêmio fica. Mas a mancha dessa nota vai acompanhar Alberto Guerra por muito tempo. Não foi apenas um tropeço. Foi um retrato. E um retrato que expõe mais do que ele gostaria.

As opiniões emitidas por colunistas não expressam necessariamente a posição editorial da Matinal.
Nando Gross

Nando Gross

Jornalista e comentarista esportivo, com passagem por algumas das mais importantes emissoras de rádio do país. Contato: nandogrossjornalista@gmail.com

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