Confira todos os textos da edição #333
- Pelé e Tostão, por Antônio Vicente Martins
- A copa que eu vivi, por Júnior Maicá
- Quando um embaixador argentino chorou a morte de Pelé, por Eduardo Brigidi
- Na Copa do Mundo, um Grenal de goleiros, por Valesca de Assis
- Lendas e causos das velhas Missões, por Artur Barcelos
- O rock gaúcho – Capítulo XIV, por Arthur de Faria
- Visão de futuro, por Paulo Damin
- Asperezas de Minuano, por Juremir Machado da Silva
- Sussuarana – Capítulo III, por Alice Elnecave Xavier
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 12, por Gonçalo Ferraz
- Outras luzes na escuridão, por Helena Terra
Não há mentira que não seja filha de algo
“Já vejo que o senhor é um moço de tino. Outros muitos vêm por aqui, olham a igreja, sobem na torre, descem na escada escondida, mas não têm olhos para enxergar aquela massa preta, hoje dura que nem pedra, que escorreu do alto da escada. Mas o senhor não: viu. Viu e perguntou. Perguntou e eu conto. Se fosse para outro, não contava. [...] ...uma noite uma das chinas atentou para o mistério. Era decerto a mboi-guaçu que tinha fome. E essa china, que de tanto sofrer enlouquecera, pegou seu filho nos braços e lá subiu para a torre de onde o sino chamava. Lá subindo, em desatino, os degraus de pedra bruta, e quanto mais ela subia mais o sino se animava na doideira de seus gritos. ‘Quem é que chama meu filho?! Quem é que chama meu filho?! Não grite mais, já cheguei!’ E então tudo se calou... Mas então a cobra grande, de tanto comer carne tenra, foi inchando, inchando muito, tanto engordou que estourou. E tão grande ela se achava, que a sua graxa – muito preta – inundou a torre toda, e depois veio caindo, se esparramando, pingando, desceu do alto da escada e nos degraus se grudou."