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A invenção do futebol

Parêntese #328

A invenção do futebol
Foto: Chaos Soccer Gear

Confira todos os textos da edição #328

Consta que os ingleses inventaram o futebol com a diferenciação do rugby em 1863, a fundação, no mesmo ano, da The Football Association, e a primeira reunião do International Board em 1886, que definiu as bases do regramento atual. Os ingleses podem ter inventado as normas, mas aquilo que normatizaram foi uma invenção italiana. Está nos livros.

Há notícias remotas de algo semelhante ao futebol na China, na Babilônia, no Egito, no Japão, na Grécia, sobretudo entre os romanos, criadores do harpastum, disputado por zagueiros, médios e atacantes que usavam os pés e as mãos. Os soldados de Júlio César levaram o harpastum para a Gália, que o chamou soule, e para as ilhas britânicas, mais tarde reocupadas por Cláudio e Adriano. Aquilo que ali se jogava no primeiro milênio, após a invasão dos anglo-saxões e, no início do segundo, com a conquista normanda, era o jogo romano, mas os ditos inventores do futebol sem demora o baniram, por seu barbarismo: só não era permitido o homicídio. Eduardo I o proibiu em 1297, Eduardo II em 1314, Eduardo III em 1349, Ricardo III em 1389, Henrique IV em 1401, ao passo que na Escócia, em 1423, Jaime I foi autor do famoso decreto:  That no man at football. Também foi condenado por Henrique VIII, Eduardo VI e Elizabeth I. Sob Jaime I foi tolerado, mas quem o praticava era socialmente desprezível. Em Rei Lear, de Shakespeare (1606), o Conde de Kent dá um pontapé no intendente de Goneril e o insulta: Nor tripped neither, you base football. Na França, o soule não padecia de restrições, escalando entre as quatro linhas o rei Henrique II e o poeta Pierre de Ronsard.